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O Candidato da Verdade - The Manchurian Candidate (2004)


10 estrelas (10)

Já vi este filme algumas vezes e não me canso. É muito bom. 
Além das interpretações gerais e particulares de Meryl Streep, Liev Schreiber e Denzel Washington que estão soberbas, a composição do filme está muito bem feita, é um filme com uma realização dinâmica, nada enfadonha, sólido e consolidado em todas estas vertentes de trama, guião, realização e interpretação. É um filme assustador (muito mais do que o que o antecessor), pois este baseia-se em premissas que podem muito bem ser uma duradora realidade por confirmar. E isso causa aquela «inquietação nervosa» de quem pode estar a ver uma ficção que é tudo menos isso.

Uma de algumas frases do filme que mexeram comigo é dita pela soberba Meryl Streep na personagem de Eleanor Prentiss Shaw, uma implacável mulher da política. Quando esta dá banho ao futuro vice-presidente dos EUA, o filho Raymond Shaw (Liev Schreiber),  antes da cena terminar com uma insinuação incestuosa, Raymond pergunta à mãe qual vai ser o destino do Major Ben Marco (Denzel Washington), um "fantoche" dos interesses políticos que foi manipulado através de lavagem cerebral para assassinar o futuro presidente dos EUA para que Shaw tome o seu lugar. A sua resposta é de gelar o sangue nas veias:
- "The assassin always dies, baby. It's necessary for the national healing".
"Querido, o assassino morre sempre. É necessário para o luto do país".

E num nanosegundo é impossível não recapitular mentalmente tudo o que se sabe sobre os assassinatos da vida real de Robert Kenedy, JFK e até Abraham Lincoln. Todos figuras de topo da política americana, todos assassinados sem se saber quem foram os mandantes e todos tiveram um homem só providencialmente capturado e apresentado como único responsável, um «lunático» "fantoche" para arcar com a punição, sarar a nação e assim calar a revolta do mais fervoroso incansável investigador da busca da justiça e da verdade. Semelhanças? Todas! E por isso é HORRIPILANTE.

Outro momento marcante é a interpretação de Liev Schreiber aquando desabafa no seu consultório sobre a sua vida como um Prentiss Shaw. Todo aquele desabafo se resume a: "A minha mãe aconteceu". É de horripilar pois percebe-se o quanto aquele homem foi, toda a sua vida, um fantoche terrivelmente forçado a cumprir as vontades e desejos da mãe. Uma mãe dominadora e opressora. Sentimos por um rapaz que nunca teve uma namorada, porque a mãe não permitia, nem sequer uma amizade verdadeira, pois a mãe também interferia nos contactos e conhecidos que o filho devia ter. É horroroso e dá dó.

Um terceiro momento de horror do filme é visionar a broca a perfurar o crânio de Raymond, a fim de introduzir um novo aparelho de controlo da mente. Vê-se a broca a entrar, o som que faz e tudo culmina com a impressão que faz ver que, ao sair, vem cheia de "pó" craniano. E em todo este processo, Raymond, a cobaia, está viva, acordado e sem sedativo. Apenas sobre o efeito do controlo da mente. Ele sorri à medida que lhe brocam o crânio e lhe introduzem uma agulha no cérebro! 

Mas tudo isto são descrições fortes mas resumidas para descrever um filme que aborda de forma soberba tantas questões sobre o poder por detrás do poder e o controlo, tanto desse poder como sobre o indivíduo. 

O filme feito em 62 com o «cunho» de Frank Sinatra - O enviado da Manchúria, fez merecido sucesso e sugiro que seja também visto, porém não deixa de ser um produto de época, preso que está no enredo em torno da paranóia da Guerra Fria e do medo americano da «ameaça» comunista - uma realidade de então, porém à muito encerrada. Sim, os chineses conquistaram o mundo mas foi através do capitalismo, do comércio e da economia de países ambiciosos como a América, dispostos a «fechar os olhos» em prol do lucro. Depois disto investem na política de cada qual, inclusive por cá, onde andam a comprar cada vez mais empresas que deviam manter-se nas mãos do Estado. (isto é um à parte). Portanto, o «comunismo» foi uma ameaça que o capitalismo tornou obsoleta porque a substituiu como «vilã». O comunismo como ameaça na trama é, portanto, uma conspiração datada e as próprias interpretações neste filme de 62, embora boas, também pertencem a um tempo em que heróis e vilões tinham determinados maneirismos e eram personagens mais planas. Nessa década de 60, o herói era sempre forte, tendo apenas direito a um momento de colapso nervoso. Hoje os bons filmes já não são assim, deixam a humanidade invadir bons e maus em todo o seu esplendor de medos, receios, fragilidades, força e inteligência.

O Candidato da Verdade ou no original The Manchurian Candidate é um filme de triller psicológico que nos agarra ao ecrã de princípio ao fim. Num mundo global, o terrorismo das cooperações é uma ameaça bem real ao planeta, à economia e à vida de cada cidadão, aqui ou em qualquer lugar. E cada vez mais se verifica conforme o comprova as sucessivas crises económicas, o consequente desemprego, o aumento do custo de vida e as dificuldades, cuja crise começa «lá» mas acaba por dar a volta ao mundo e atingir tal como uma onda todos os lugares. É um perigo real, tão verdadeiro, que o filme ao abordá-lo, torna-se assustador.

1 Say it / Quero Falar:

Andrea Pérez Ulloa disse...

Este filme é muito interessante, continua rugindo da primeira cena até o fim, eu gostei. Eu vi também uma nova série de televisão que é produzido na América do Sul é chamado O Hipnotizador, tem um enredo semelhante e é bastante divertido.

 
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