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What we do in the shadows - um filme 10 estrelas e qualquer coisa mais


10 estrelas (10)

"What we do in the shadows" (2014) é o melhor filme que vi nestes dias. 

Dou a este filme todas as 10 estrelas. Ele merece. É perfeito. A história está muito bem construída, é fresca e contemporânea. O guarda-roupa é diversificado e encaixa na perfeição nas personagens e no meio ambiente onde circulam. Bem filmado, bem dirigido, diálogos perfeitos, com cenários credíveis e uma excelente dinâmica das personagens, todas elas, mesmo as mais secundárias. A cereja em cima do bolo é a banda sonora, que encaixa na perfeição no espírito do filme. 



Aprecio filmes deste calibre. Já havia adorado "Vampirosos" (Sundown - Vampires in retreat), uma comédia de 1989, também sobre vampiros, mas numa história diferente. Acho que a crítica «mandou abaixo» o filme, mas eu adorei. Teve a originalidade de apresentar um roteiro novo, algumas cenas absurdas e uma atuação primorosa de David Carradine e Bruce Campbell. 

Voltando a "What we do in the shadows" - este também é um filme sobre vampiros. Mas não no contexto das histórias de sempre, que hollywood repete até à exaustão. Tal como o de 89, aqui "brinca-se" com a evolução dos vampiros, na forma como se relacionam com os humanos e arranjam novas formas de estar em sociedade. 

Em «What we do in the shadows» quatro vampiros dividem a mesma casa, tendo que lidar com os problemas das lides domésticas e dos egos. Eles são Deacon, Vlasdislav, Viago e Petey, o mais velho, com mais de 8000 anos. Um vampiro de aparência temerosa, que assusta até os outros vampiros, naquilo que é uma homenagem a Nosferatu (1922), o primeiro vampiro do cinema, ainda na época de filmes a preto e branco.

Com tanto tempo de existência, cada vampiro teve de se adaptar e encontrar novas formas de estar e
de passar o muito tempo que dispõem, estando um pouco desactualizados com a modernidade. E é neste contexto que a história dá uma refrescada. A certa altura os quatro vampiros acabam por aceitar a amizade de um humano. Não vou relatar muito da história, mas vale a pena ver como tal acontece, porque não é gratuito, não foi necessário inventar uma circunstância de dívida de vida - o humano não salvou nenhum vampiro da morte, não se compadeceu da sua humanidade ou situação e não eliminou algum caçador de vampiros mau e sem caráter. Nada dessas muletas hollywoodescas para fazer avançar o filme. A solução é muito mais plausível e natural: simpatizaram com dele. E as razões notam-se na história.

O humano, de nome Stu, é um rapaz tranquilo, muito calado, nada alarmista, e com umas bochechas muito rosadas. Ele acaba por funcionar no grupo como o elemento que proporciona um melhor contacto com as facilidades da vida actual - nomeadamente o potencial da internet. Não leva muito tempo para que os vampiros fiquem «viciados» naquilo. Fazem compras online, assistem a vídeos, contactam pessoas pelo chat... E tudo isto não passa de simples e rápidos apontamentos que enriquecem a história.

Há no filme uma cena curta, que vive mais do diálogo e das circunstâncias, que é muito cómica e por isso não resisto em descrever aqui. Quando os vampiros são introduzidos à internet, ficam, como é natural, maravilhados com tudo o que esta tem para oferecer. Quando estão a ver vídeos, a primeira coisa que se lembrar de pedir para ver é um por do sol. 

-"Ah, que bonito! Fantástico!" -dizem. Mas em segundos satisfazem a curiosidade e não demora nada até que o foco de interesse passe a ser outro totalmente diferente: mulheres. Nesse instante já não existem vampiros, humanos, coisa nenhuma. Só homens a babarem-se com os atributos físicos femininos. 


O desfecho da história é previsível e antecipa-se algumas cenas antes, mas nada disso fará alguém desgostar menos. Tem mortes de humanos e de vampiros, tem sangue sem aquele exagero ridiculo e descontextualizado da maioria dos filmes violentos americanos, tem lobisomens, brigas e festas. Os vampiros concordaram que uma equipa de reportagem faça um trabalho sobre suas vidas, de modo que o que o espetador vê, são as imagens dessas câmaras, que registam e documentam o dia-a-dia, sem interferir. Tal proporciona alguns momentos de relatos para a câmara, de embaraços e de comédia, como a cena da chávena de chá! Durante o baile, está muito bem metida uma piada, feita de forma sublime: numa panorâmica que habitualmente se fazem para filmar cenas de dança, a lente vai do salão, onde todos dançam, para a parede, onde existe um grande espelho. E como são quase todos vampiros, no reflexo só aparecem a dançar duas pessoas, rsss.

Cartaz satírico que presta homenagem à imagem clássica dos filmes de terror

Este filme que foi escrito pelos intérpretes Jemaine Clement (Vlasdislav) e Taika Waititi (Viago), merece uma sequela. 




1 Say it / Quero Falar:

Maria Varredora Pau de Vassoura disse...

adoro este tipo de filmes, desconhecia...
Vou tentar ver...

Gostei do blog. :)

 
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