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Passageiro 57


 

Gosto de rever filmes antigos. E um com Wesley Snipes pareceu-me exatamente o que pretendia. O filme de acção tem o nome de Passageiro 57. Snipes é um agente de segurança que se vê num avião acabado de ser desviado por piratas. Pior: por um assassino muito temido que procura fugir da pena de morte. Ele começa a executar passageiros assim que as suas demandas não são cumpridas. Com ele está uma equipa de bandidos armados até os dentes, três homens e uma jovem e bonita mulher. 

Para terem uma ideia, ele entra no cockpit de arma em punho e pergunta:
"Quem é o responsável aqui?"

Um dos pilotos responde: 
"Sou eu"

Leva com um tiro no meio da testa. E o bandido volta a perguntar: 
"Quem é o responsável aqui?"

-"É você" - respondem os restantes. 


Bom mas ver este filme fez-me ter curiosidade sobre o ator pois tenho a sensação que "desapareceu". Fiz uma pesquisa que me devolveu um resultado decepcionante. Ele esteve preso uns três anos (olha a novidade, não é?) por evasão ao fisco. Ou seja, durante as décadas em que faturou milhões, não pagou um único cêntimo de impostos. 

Pois é. Acreditem se quiserem. Conscientemente e intencionalmente não pagou um centavo. Como pode não é? Todos nós temos de pagar impostos sobre os nossos rendimentos. Mesmo aqueles que ganham milhões. Mas o Snipes decidiu que seria diferente. 

Ele demitiu a firma de advogados com quem trabalhava que o alertou para a fraude e decidiu acreditar numa ceita, "movimento dos cidadãos soberanos" que, descobri, está a contaminar o mundo inteiro, tendo tido um crescimento substancial durante o Covid. Essa "ceita" é simplesmente composta de indivíduos anti-impostos extremistas. Capazes de atos de bulling, difamação, etc. 

Para terem uma ideia, este grupo de pessoas pretendem se isolar numa nação própria e "enrolam" os tribunais submetendo petições falsas, processos que visam só prolongar a agonia e esticar o tempo que leva a fazer-se justiça. A forma moderna de se fazer bulling


 Snipes preferiu seguir a ideia de que como cidadão americano não tinha de pagar impostos, escolhendo seguir a "secção 861" - uma teoria jurídica falsa. Você e eu diriamos logo... "nã... é bom demais para ser verdade". E é. Onde já se ouviu? Não pagar impostos sobre os rendimentos AHAHAHAH.

Snipes foi mais longe. Pois é... no seu radicalismo ele chegou a escrever cartas se auto-intitulando estrangeiro residente no país, diplomata (para ver se ganhava isenção) e até fiducionário de Deus! Além disso, meteu vários bens em nome de outros para poder alegar "não ter dinheiro". Perde todo o meu respeito aqui com estas tentativas patéticas de contornar todas as leis que simplesmente dizem: paga impostos.

Que se soubesse ele faturou quase 40 milhões de dólares que não foram tributados. Com juros e multas acumuladas durante uma década, o governo estava a cobrar-lhe 23.5 milhões. Depois de cumprir quase 3 anos em prisão federal, fez mais uns três em domiciliária. Depois de ter saído, ele ainda tinha a dívida para pagar. 

Em 2018 aproveitou um mecanismo legal que permite negociar um desconto para quitar a dívida e propôs ao governo pagar a quantia de 842 mil dólares. Nem à casa dos milhares ele chegou! Esse valor apenas era 4% da sua dívida e foi recusado. O governo porém, fez uma contra-proposta de 9.5 milhões. Mas o ator recusou e insistiu nos 842 mil dólares para terminar a sua dívida de 23.5 milhões.

Olhem a lata! Ainda por cima ele fez petições nos tribunais alegando que o governo lhe devia 11 milhões por impostos pagos no passado, antes de 1999, quando ainda estava com a firma legal jurídica. 

Bom, e toda a admiração que tinha pelo ator foi-se assim... ao descobrir este seu lado unha-de-fome e sacana. 

Continuando a ver o filme, percebi que existia muita interpretação "canalhice". Sabem o esteriotipo? Os "maus" de cara fechada, a boazinha a comportar-se como se estivesse numa passarela a concorrer a miss simpatia... Enfim, esteriotipos.  


 Uma das vilãs apenas fez beicinho para baixo. Achei aquilo muito forçado e amador. A atriz pareceu-me familiar. Era a Elizabeth Hurley - que pouco tempo depois com muita maquilhagem, atributos bem visiveis e uns toques aqui e acolá se tornou um sex-symbol. Mas aqui, jovem e sem maquilhagem, apenas uma carinha laroca a precisar desenvolver melhor as suas capacidades de atuação. 

O vilão é um pouco esteriotipado também, os passageiros são assassinados sem cerimónia - coisa que gostei de ver por ser verosímel. Hoje em dia, com a política do POLITICAMENTE CORRETO já não permitem que se "matem" pessoas, principalmente da forma como se fez neste filme. Logo no início o criminoso segura uma arma na cabeça de um passageiro e pergunta-lhe o nome. "Douglas". Douglas, tens filhos? - Uma menina - responde. Depois ele dispara o tiro matando-o e diz ao Snipes que ele agora é responsável por uma menina não ter mais pai. 

Seguramente que hoje em dia Snipes teria largado a sua arma bem antes de ser necessário uma bala entrar na cabeça de um inocente com uma filha. O politicamente correto jamais ia permitir tamanha atrocidade. 

Mas o melhor desta minha apreciação/investigação deixei para o fim. Para o final do filme surge um xerife com quem Snipes interage. De toda as personagens, esta é a que me chama a atenção. É também aquela que considero melhor interpretada. O resto está tudo ali no limiar do esteriotipo, do forçado. Inclusive o nosso "herói" com a sua "perda" culposa de ser indiretamente responsável pela morte da esposa. 

Fui espreitar no elenco e este cherife foi interpretado por Ernie Lively. O nome não me diz nada mas o apelido logo veio com referência a ele ser pai da atriz Blake Lively. Que também nunca tinha ouvido falar, até fazer um filme em que meteu o diretor em tribunal e os tablóides dizerem que é ela a esposa do Ryan Reynolds e a melhor amiga de Taylor. Ou seja: ela é mais conhecida pelas pessoas com quem se relacionada na sua intimidade. Na pequena bio de Ernie surgem os nomes de cinco filhos, todos apontados como atores. Chiça, se isto não é nepotismo, o que é? Ahaha. Tinha de ter filha atriz, claro... mas CINCO, todos eles?


Porém o mais interessante na história do ator não é isto. Biológicos ele teve dois filhos. Os outros três penso que surgiram de um anterior casamento dele com uma mulher de apelido Lively. Que ele tomou para si ao casar. Curioso um homem querer "abandonar" o nome de família - Brown de pai e Walton de mãe para agarrar - vejam só - não o nome de uma esposa (que virou ex) mas o apelido que a ex- esposa manteve quando casou com o ex-marido que não Ernie, que virou o próximo ex-marido. Isto é fantástico!

Não é todos os dias que se encontra um "exemplar" destes. Que demostra total desdém pelo nome da família. Quero dizer: milhares de artistas que conhecemos hoje e de sempre têm nomes artísticos. É super-normal. Mas no seu bilhete de identidade continuam com os seus nomes originais. Ou quase todos. NINGUÉM deixa de ser "José da Silva" só porque é conhecido como o cantor "Joca S Tintin", entendem? Mas este ator não fez isso. Ele não adoptou um nome artístico. Ele realmente mudou o seu nome legal para "agarrar" o nome de família de um outro homem que nada tem a ver com ele. 

E agora existe em Hollywood cinco pessoas com esse nome - Lively - um enxame deles, todos considerados atores. É surpreendente, não acham?? 

E o nome tem origem num cara que ninguém conhece, pouco se sabe ou ouviu falar... Ronald Otis Lively. 

E voltando ao filme, claro que este avião mais parece um hotel de cinco estrelas. Tem elevador, uma série de lugares para uma pessoa se perder ou esconder e por mais tiros que sejam disparados no seu interior, parece que nunca uma bala perfura a fuselagem. 

Ainda assim, é um bom entretenimento. 




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