Hello! Bem-Vindo! COMENTE!
Vamos Respirar Cinema, escolher os melhores actores, os melhores filmes e as cenas predilectas. Tem uma opinião? Deixe-a no Read User's Comments
Foi com deleite que vi esta comédia realizada por Billy Wilder, decorria o ano de 1972. O filme é, no meu entender, simples mas envolvente, muito bem redigido, interpretado e "bolado".
A história começa num avião, com a entrada de um homem que troca de vestimenta com um outro que ali encontra. Daí ele aterra numa localidade marítima na Itália e começam as aventuras dos mal-entendidos e reviravoltas.
Jack Lemon é o ator principal, em mais uma parceria incrível com o diretor Billy Wilder, que também o dirigiu na comédia "Quanto mais Quente melhor", célebre filme com Marilyn Monroe e os dois "músicos", Lemon e Curtis, que se infiltram na banda feminina para fugirem de um mafioso.
Em "Amor à Italiana" as piadas ainda estão vivas, são bem entregues pelos interpretes. Estão quase todas em tiradas curtas, bem entregues e de fato, uma pessoa dá aquela contracção de riso no diafragma...
A personagem de Lemon vai para a ilha Ischia para levar o corpo de seu pai, ali falecido, de volta para a América, para lá ser enterrado. Figura eminente na sociedade, dono de várias empresas, seu corpo é esperado para passar por uma série de cerimónias formais, com honras de estado e presença de figuras da mais alta importância. Mas acontece que seu pai não faleceu sozinho. No acidente de viação que o vitimou ia também a sua amante. Cuja filha se cruza com Wendell nessa viagem de recuperação de corpos.
E as coisas tomam o seu rumo quando a personagem de Lemon entende que o que o seu pai fazia naquele hotel-spa, fazia já 10 anos não eram os tratamentos de saúde que contava.
A comédia tem as suas personagens secundárias todas muito bem construídas, com falas excelentes. Recomendo que se veja. É uma joia da década de 70.
Actores ainda vivos neste mês de Abril de 2026: Juliet Mills - Atriz principal Giselda Castrini - Anna, a arrumadeira Falecidos recentemente: Clive Revil - Concierge Carlo Carlucci (11.03.2025, 94 anos) Giafranco Barra - Bruno (23.03.2025, 84 anos)
Bastou-me olhar para o poster deste filme para sentir que ia valer a pena ver. Não me arrependi.
Ao invés de ter as suas bases assentes em comédia disparatada, com pouco sentido e altamente exagerada e caricata “A medalha de Bronze” assenta na mensagem. Descreveria a história mais como um drama pessoal, envolvendo uma personagem central mas também outras secundárias, contado de forma evolutiva e com humor.
Hope é uma ex-ginasta olímpica medalhada em 2004 com bronze. Ficou famosa por se ter lesionado e ainda assim ter feito o exercício, o que lhe valeu o 3º lugar no pódio. Na sua pequena cidade Natal, onde ainda mora, ela é a vedeta. Não obstante, vive amargurada e revoltada com a vida, pois a sua carreira como ginasta terminou logo a seguir. Ela só sai à rua usando o fato desportivo das olimpíadas de 2004 e mantém o visual de uma ginasta: franjinha direita e cabelo preso num rabo de cavalo. Tudo à sua volta tem as cores nacionais, recordando todos o que ela já fez pelo país. Desde os elásticos para o cabelo, ao pijama, as canecas de leite e até a entrada para o seu quarto, local recheado tanto de medalhas e troféus, como de peluches.
Os estabelecimentos locais têm uma foto dela afixada na parede e ela espera receber tratamento especial, como por exemplo, não pagar pela refeição no “MacDonalds” local. Até a marijuana que fuma não é paga, ela espera que lhe seja dada devido ao estatuto de estrela de ginástica. Mimada e verbalmente abusiva, Hope vive com o pai, a quem dá pouco valor e menospreza. Quando lhe convém faz questão de relembrá-lo que perdeu a mãe aos seis meses de idade, uma chantagem emocional que não escapa à inteligência do pai. Ela também o rouba, ou melhor, aproveita-se deste ser um mero carteiro, arromba-lhe a carrinha com a correspondência e abre tudo o que contém dinheiro. O pai percebe e tenta chamá-la à atenção. Quer que ela reaja, arranje um trabalho, deixe de estar presa no seu passado de estrelato.
É aí que a sua ex-treinadora, dona de um ginásio, comete suicídio. No dia a seguir o pai de Hope entrega-lhe uma carta da ex-treinadora... E a vida de Hope começa a mudar. Gradualmente, vê-se forçada a treinar a próxima grande promessa em ginástica, uma menina que, se tiver sucesso, vai substituir Hope nos corações do povo da cidade e privá-la do que ainda lhe resta: as suas regalias de estrela local. O que irá Hope fazer?
O filme está bem feito, assenta numa boa história e espelha bem o mundo da ginástica competitiva. Pelo lado da importância do estatus, pelo lado da fama, do trabalho, dos treinos, e da personalidade. Tem uma cena em que Hope ensina a sua pupila a importância de parecer graciosa em cada gesto e sorrir, pois as câmeras estão a registar cada detalhe e os patrocínios obtém-se pela simpatia. Um primor, numa crítica psicológica que não é exagerada nem vulgar. Tem ainda o bónus de mostrar que Hope ficou muito atrás nos seus estudos, faltando-lhe conhecimentos até rudimentares, pois a sua infância foi dedicada à ginástica e coube ao pai, cheio de boa vontade, ensiná-la em casa o que se aprende nas escolas.
Com uma memorável cena de abertura – que pode chocar os mais sensíveis, o filme resume tudo o que acabei de escrever em poucos minutos. Foram precisos muitos mais para reconhecer Melissa Rauch, que faz de Bernadette na série a Teoria do Big Bang, como a intérprete de Hope. Mas sobre cenas memoráveis o filme ainda nos reserva a cena de sexo... Para elogiar também fica o impressionante trabalho de praticamente não se notar o uso de duplos para as cenas de ginástica ou... outras.
O filme aposta na linguagem ordinária, mas não é ordinário. Para quem viu filmes com Adam Sandler - qualquer um, mas em particular o último “The Do-Over”, este não é esse tipo de filme. “A medalha de Bronze” consegue estar vários patamares acima e pertence a outra categoria totalmente diferente. É um filme com uma história, onde todos os personagens têm profundidade, mesmo todos. O que, no panorama de comédias parvas de Hollywood, é refrescante e digno de medalha de ouro.