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Passageiro 57


 

Gosto de rever filmes antigos. E um com Wesley Snipes pareceu-me exatamente o que pretendia. O filme de acção tem o nome de Passageiro 57. Snipes é um agente de segurança que se vê num avião acabado de ser desviado por piratas. Pior: por um assassino muito temido que procura fugir da pena de morte. Ele começa a executar passageiros assim que as suas demandas não são cumpridas. Com ele está uma equipa de bandidos armados até os dentes, três homens e uma jovem e bonita mulher. 

Para terem uma ideia, ele entra no cockpit de arma em punho e pergunta:
"Quem é o responsável aqui?"

Um dos pilotos responde: 
"Sou eu"

Leva com um tiro no meio da testa. E o bandido volta a perguntar: 
"Quem é o responsável aqui?"

-"É você" - respondem os restantes. 


Bom mas ver este filme fez-me ter curiosidade sobre o ator pois tenho a sensação que "desapareceu". Fiz uma pesquisa que me devolveu um resultado decepcionante. Ele esteve preso uns três anos (olha a novidade, não é?) por evasão ao fisco. Ou seja, durante as décadas em que faturou milhões, não pagou um único cêntimo de impostos. 

Pois é. Acreditem se quiserem. Conscientemente e intencionalmente não pagou um centavo. Como pode não é? Todos nós temos de pagar impostos sobre os nossos rendimentos. Mesmo aqueles que ganham milhões. Mas o Snipes decidiu que seria diferente. 

Ele demitiu a firma de advogados com quem trabalhava que o alertou para a fraude e decidiu acreditar numa ceita, "movimento dos cidadãos soberanos" que, descobri, está a contaminar o mundo inteiro, tendo tido um crescimento substancial durante o Covid. Essa "ceita" é simplesmente composta de indivíduos anti-impostos extremistas. Capazes de atos de bulling, difamação, etc. 

Para terem uma ideia, este grupo de pessoas pretendem se isolar numa nação própria e "enrolam" os tribunais submetendo petições falsas, processos que visam só prolongar a agonia e esticar o tempo que leva a fazer-se justiça. A forma moderna de se fazer bulling


 Snipes preferiu seguir a ideia de que como cidadão americano não tinha de pagar impostos, escolhendo seguir a "secção 861" - uma teoria jurídica falsa. Você e eu diriamos logo... "nã... é bom demais para ser verdade". E é. Onde já se ouviu? Não pagar impostos sobre os rendimentos AHAHAHAH.

Snipes foi mais longe. Pois é... no seu radicalismo ele chegou a escrever cartas se auto-intitulando estrangeiro residente no país, diplomata (para ver se ganhava isenção) e até fiducionário de Deus! Além disso, meteu vários bens em nome de outros para poder alegar "não ter dinheiro". Perde todo o meu respeito aqui com estas tentativas patéticas de contornar todas as leis que simplesmente dizem: paga impostos.

Que se soubesse ele faturou quase 40 milhões de dólares que não foram tributados. Com juros e multas acumuladas durante uma década, o governo estava a cobrar-lhe 23.5 milhões. Depois de cumprir quase 3 anos em prisão federal, fez mais uns três em domiciliária. Depois de ter saído, ele ainda tinha a dívida para pagar. 

Em 2018 aproveitou um mecanismo legal que permite negociar um desconto para quitar a dívida e propôs ao governo pagar a quantia de 842 mil dólares. Nem à casa dos milhares ele chegou! Esse valor apenas era 4% da sua dívida e foi recusado. O governo porém, fez uma contra-proposta de 9.5 milhões. Mas o ator recusou e insistiu nos 842 mil dólares para terminar a sua dívida de 23.5 milhões.

Olhem a lata! Ainda por cima ele fez petições nos tribunais alegando que o governo lhe devia 11 milhões por impostos pagos no passado, antes de 1999, quando ainda estava com a firma legal jurídica. 

Bom, e toda a admiração que tinha pelo ator foi-se assim... ao descobrir este seu lado unha-de-fome e sacana. 

Continuando a ver o filme, percebi que existia muita interpretação "canalhice". Sabem o esteriotipo? Os "maus" de cara fechada, a boazinha a comportar-se como se estivesse numa passarela a concorrer a miss simpatia... Enfim, esteriotipos.  


 Uma das vilãs apenas fez beicinho para baixo. Achei aquilo muito forçado e amador. A atriz pareceu-me familiar. Era a Elizabeth Hurley - que pouco tempo depois com muita maquilhagem, atributos bem visiveis e uns toques aqui e acolá se tornou um sex-symbol. Mas aqui, jovem e sem maquilhagem, apenas uma carinha laroca a precisar desenvolver melhor as suas capacidades de atuação. 

O vilão é um pouco esteriotipado também, os passageiros são assassinados sem cerimónia - coisa que gostei de ver por ser verosímel. Hoje em dia, com a política do POLITICAMENTE CORRETO já não permitem que se "matem" pessoas, principalmente da forma como se fez neste filme. Logo no início o criminoso segura uma arma na cabeça de um passageiro e pergunta-lhe o nome. "Douglas". Douglas, tens filhos? - Uma menina - responde. Depois ele dispara o tiro matando-o e diz ao Snipes que ele agora é responsável por uma menina não ter mais pai. 

Seguramente que hoje em dia Snipes teria largado a sua arma bem antes de ser necessário uma bala entrar na cabeça de um inocente com uma filha. O politicamente correto jamais ia permitir tamanha atrocidade. 

Mas o melhor desta minha apreciação/investigação deixei para o fim. Para o final do filme surge um xerife com quem Snipes interage. De toda as personagens, esta é a que me chama a atenção. É também aquela que considero melhor interpretada. O resto está tudo ali no limiar do esteriotipo, do forçado. Inclusive o nosso "herói" com a sua "perda" culposa de ser indiretamente responsável pela morte da esposa. 

Fui espreitar no elenco e este cherife foi interpretado por Ernie Lively. O nome não me diz nada mas o apelido logo veio com referência a ele ser pai da atriz Blake Lively. Que também nunca tinha ouvido falar, até fazer um filme em que meteu o diretor em tribunal e os tablóides dizerem que é ela a esposa do Ryan Reynolds e a melhor amiga de Taylor. Ou seja: ela é mais conhecida pelas pessoas com quem se relacionada na sua intimidade. Na pequena bio de Ernie surgem os nomes de cinco filhos, todos apontados como atores. Chiça, se isto não é nepotismo, o que é? Ahaha. Tinha de ter filha atriz, claro... mas CINCO, todos eles?


Porém o mais interessante na história do ator não é isto. Biológicos ele teve dois filhos. Os outros três penso que surgiram de um anterior casamento dele com uma mulher de apelido Lively. Que ele tomou para si ao casar. Curioso um homem querer "abandonar" o nome de família - Brown de pai e Walton de mãe para agarrar - vejam só - não o nome de uma esposa (que virou ex) mas o apelido que a ex- esposa manteve quando casou com o ex-marido que não Ernie, que virou o próximo ex-marido. Isto é fantástico!

Não é todos os dias que se encontra um "exemplar" destes. Que demostra total desdém pelo nome da família. Quero dizer: milhares de artistas que conhecemos hoje e de sempre têm nomes artísticos. É super-normal. Mas no seu bilhete de identidade continuam com os seus nomes originais. Ou quase todos. NINGUÉM deixa de ser "José da Silva" só porque é conhecido como o cantor "Joca S Tintin", entendem? Mas este ator não fez isso. Ele não adoptou um nome artístico. Ele realmente mudou o seu nome legal para "agarrar" o nome de família de um outro homem que nada tem a ver com ele. 

E agora existe em Hollywood cinco pessoas com esse nome - Lively - um enxame deles, todos considerados atores. É surpreendente, não acham?? 

E o nome tem origem num cara que ninguém conhece, pouco se sabe ou ouviu falar... Ronald Otis Lively. 

E voltando ao filme, claro que este avião mais parece um hotel de cinco estrelas. Tem elevador, uma série de lugares para uma pessoa se perder ou esconder e por mais tiros que sejam disparados no seu interior, parece que nunca uma bala perfura a fuselagem. 

Ainda assim, é um bom entretenimento. 




Cena favorita de "O Diabo ve$te Prada too"


 


Porque acredito que nesta fala a atriz emprestou bastante de si mesma. Ou seja: Manteve a personagem mas ao pronunciar estas palavras, estava a criar um excerto póstumo. Ela era mesma a dizer o que sente por ser atriz. ADORA aquilo que faz e não consegue parar. Mas teve custos... 

Não é tudo glamour. As relações sofrem. 

O Diabo veste PRADA 2


 Vou fazer uma review peculiar a este filme. É que estou a tentar vê-lo em stream e não consigo passar dos 20 minutos. Contudo, nas dezenas de vezes repartidas por alguns dias livres em que tentei ver o filme por inteiro, a repetição das cenas iniciais só reforçaram a primeira impressão. 

E não é positiva. 

Claro que irei - um dia sei lá quando - ver o filme por inteiro. Mas a julgar pelos primeiros 20 minutos, já tenho tanto a criticar que... quando percebi que o filme não se conseguia ver em stream, nem me afetou muito. Vi outro qualquer. 

Vou começar por criticar a cena de abertura. Com a lavagem de dentes. Achei desnecessário, esse ser o plano de introdução. Também achei muito estranho a forma como a pessoa estava a escovar os dentes. Parecia estar a FINGIR escovar os dentes. 

E quando se vê um filme em que as pessoas, na realidade, estão a representar - a fingir ser algo que não são, a última coisa que se quer é SENTIR isso. 

E eu senti isso todos os 20 minutos iniciais. 

Achei a direção fraca e batida. Um bom diretor faz muita diferença num filme. Vi muita gente, muitos extras, gente demais - até a multidão e os carros pareciam estar a atuar, a fingir ser o que não são. 

Toda a atmosfera me pareceu FALSA - nesta introdução para inserir os créditos. Uma parte da feira com um homem a segurar dois cintos... fake. 

Depois tem a relação da personagem de Ana com a sua "turma" de amigos e colegas de trabalho jornalistas. Nada a ver! Eu CORTARIA essa cena totalmente do filme. Aquela reunião no café só para estipular o caracter "bonzinho e com princípios" da Ana, não faz sentido. Ainda mais porque na mesa redonda, onde quatro pessoas estão, a mulher negra é claramente a personagem mais secundária, a quem não dão sequer falas. Esta, como não tem falas, gesticula e exagera nas expressões faciais. Ela mexe-se muito na cadeira, cruza os braços, encolhe os ombros, abana a cabeça, faz beicinho... chiça! A mulher FEZ DE TUDO para ser notada, tal como um ator bem amador quando quer fazer currículo. Um bom diretor teria VISTO isto e dito: CORTA! Vamos regravar. Fulana X - eu sei que não tens falas, mas não faças tantas expressões faciais. Fica mais calma a escutar. A 

mulher cruza os braços, encolhe os ombros, abana a cabeça... nossa! Falou tudo o que podia sem dizer uma palavra ou grunhir um som!

O que causa ruido visual e perturba o conteúdo da cena. 

Masa "culpa" nem é tanto dela, mas do diretor. Mais uma vez a sua escolha de planos é muito ingrata para qualquer das personagens: tanto a principal como as de apoio. É ele, o diretor que, a pesar da personagem de apoio que está a falar ser outra, no enquadramento dá destaque às duas, sobressaindo bastante a personagem sem falas. É o diretor que está a dar "Mais espaço" ao vazio, ao que não interessa.

E por isso o filme está cheio de "barriga", de cenas que não acrescentam. 

Tem também o "discurso" de Ana, após o despedimento. Tão... cringe. Não me pareceu genuíno. Achei exagerado também. De ator amador. E aquela escolha do diretor de todos os telemóveis receberem o texto de despedimento ao mesmo tempo? Ah, credível, dizem? 

Pois me digam vocês se quando estão num evento a partilhar uma mesa deixam os vossos telemóveis em cima da mesma. Onde qualquer um pode pegar. Ninguém no grupo tinha o telemóvel no bolso, na mala... nada. Não só cinco ou seis telemóveis estavam em cima da mesa como a posição dos mesmos estava convenientemente errada. Ao invés de aparecerem ao lado dos pratos, onde é mais natural a mão da pessoa deixar e pegar o aparelho, estes estão acima dos pratos! Depois dos copos. Além disso pareceu ser a única mesa em que, convenientemente, os telemóveis estavam todos à vista. Tudo para FACILITAR o trabalho do diretor. Para criar uma cena que nem é nada original. 

Depois a Ana entra na revista e tem o encontro com Miranda e... parece uma PATETA. Uma idiota, que entra assim como se tivesse acabado de sair daquela sala faz um minuto... O imperdoável contudo, é que esta cena em que, no primeiro filme, nos mostrou logo, pela escolha do diretor, uma Miranda intimidadora - mostrou uma Miranda frágil e debilitada que, pelo pouco que vi no filme mas também em fotografias sobre o filme, parece que a mulher só sabe usar cinzento. Não parece existir a finesse e elegância que o meio exige. 


Project Hail Mary


  Estrelas: 09

Filme a estrear nos cinemas, com Ryan Gosling "sozinho no espaço". 

O que quero dizer sobre este filme? Duas coisas:

1) Quem é que não ia gostar de ter um Rocky?


2) Ryan Gosling consegue interpretar qualquer coisa. 

O filme passa-se no Espaço. Um homem acorda numa nave, sozinho. A sua tripulação morreu, ele é o único sobrevivente. Não tem memória do que está ali a fazer ou como lá foi parar. 

Tem uma parte no filme que faz uma inteligente referência ao clássico imortal filme no Espaço: Aliens. A determinada altura a personagem de Ryan Gosling faz um trocadilho com as palavras e diz: "He (o alienígena que ele encontra) is growing on me. Not in me. Which was a concern". 

Eu soltei um risinho. Porque entendi de imediato a referência. 


O filme é de longa duração mas não desaponta. Até as cenas de flashback são interessantes de acompanhar. A história tem consistência e interesse, embora me pareça que é a relação de amizade gerada entre dois seres vivos sozinhos no vazio do Espaço o tema central do filme.

Os factos científicos e tecnológicos parecem plausíveis e adorei a forma como criaram materiais para permitir que estas duas criaturas pudessem interagir juntas, ainda que cada qual dependente da sua condição atmosférica para se manterem vivos. O humano com o seu oxigénio e gravidade e a rocha com o seu microclima. 

Infelizmente tenho a sensação que Hollywood já não investe bem no merchandising para filmes. Porque adoraria ter uma pequena figurinha articulada do "Rocky" para me lembrar do filme. Infelizmente costumam lançar, quando lançam, "crap" que deixa muito a desejar em termos de semelhança ou capacidade. E se disponibilizarem algo de qualidade digna do filme, certamente vai custar metade do orçamento deste! AHAHAH. (Riso à Rocky, sem tradução). 


English version: 
Movie on theaters now. I need to say just two things: Who wouldn't like to have a rocky? And Ryan Gosling is just like he says Meryl Streep is in one of this movie scenes: "He can do anything". 

I particular liked this gag - current gag that has been seen before in other movies and I just adore it - and the reference to the Alien movie - when he mentions: "Rocky is growing on me. Not IN me, which was a concern". Ahah. I laugh. Because yes, this turn out not to be a "survival" space movie, were humans have to kill with lots of guns the mean alien. This is a movie about two very lonely creatures in space that just happen to find each other and need that bound with some other creature. They have a goal together: to save life in their planets by going to investigate why there is just one single planet in the solar system that doesn't get affected by this ray of particles that are actually killing all life everywhere. 


By now we all know that it will not be necessary for dangerous aliens, natural catastrophes for life on heart to be extinguished. We know we are nature natural enemies with our inventions that polute and destroy more than anything else. But it is still nice to go and find a "guilty" somewhere else. In space... 

Now I want an articulated just like the one seen in picture Rocky figure :) Or that tinny wired man Rocky builts to communicate with another life form. 



Avanti! - "Amor à Italiana" (1972)


 Estrelas: 08

Foi com deleite que vi esta comédia realizada por Billy Wilder, decorria o ano de 1972. O filme é, no meu entender, simples mas envolvente, muito bem redigido, interpretado e "bolado". 


A história começa num avião, com a entrada de um homem que troca de vestimenta com um outro que ali encontra. Daí ele aterra numa localidade marítima na Itália e começam as aventuras dos mal-entendidos e reviravoltas. 

Jack Lemon é o ator principal, em mais uma parceria incrível com o diretor Billy Wilder, que também o dirigiu na comédia "Quanto mais Quente melhor", célebre filme com Marilyn Monroe e os dois "músicos", Lemon e Curtis, que se infiltram na banda feminina para fugirem de um mafioso. 

Em "Amor à Italiana" as piadas ainda estão vivas, são bem entregues pelos interpretes. Estão quase todas em tiradas curtas, bem entregues e de fato, uma pessoa dá aquela contracção de riso no diafragma...

A personagem de Lemon vai para a ilha Ischia para levar o corpo de seu pai, ali falecido, de volta para a América, para lá ser enterrado. Figura eminente na sociedade, dono de várias empresas, seu corpo é esperado para passar por uma série de cerimónias formais, com honras de estado e presença de figuras da mais alta importância. Mas acontece que seu pai não faleceu sozinho. No acidente de viação que o vitimou ia também a sua amante. Cuja filha se cruza com Wendell nessa viagem de recuperação de corpos. 

E as coisas tomam o seu rumo quando a personagem de Lemon entende que o que o seu pai fazia naquele hotel-spa, fazia já 10 anos não eram os tratamentos de saúde que contava.  

A comédia tem as suas personagens secundárias todas muito bem construídas, com falas excelentes. Recomendo que se veja. É uma joia da década de 70. 


Actores ainda vivos neste mês de Abril de 2026: 
Juliet Mills - Atriz principal
Giselda Castrini - Anna, a arrumadeira
Falecidos recentemente:
Clive Revil - Concierge Carlo Carlucci (11.03.2025, 94 anos)
Giafranco Barra -  Bruno (23.03.2025, 84 anos)

Isto Acaba aqui (It ends with us) - um excelente filme


 

Estrelas: 10

Passou esta semana no canal TVCine Top. E recomendo, para quem quiser ver um bom filme, bem dirigido, bem interpretado, bem editado e que tem uma história simples, mas envolvente. Identificar-mos com as situações dos personagens é fácil, tanto de um quanto de outro. 


Infelizmente li que este filme deu muuuuito trabalho porque os protagonistas não se entendiam. Para situar, o protagonista masculino, interpretado por Justin Baldoni - é também o diretor do filme. E a protagonista de Lili Blossom Bloom - Blake Levili, entrou como atriz, foi passando a produtora e parece que andou ali também a querer dar uma de diretora.




A situação chegou a pontos tão graves que ambos acabaram por se processar mutuamente. Primeiro Blake acusou o diretor de assédio sexual e de atentar contra a sua reputação e bom nome. Vazaram para o público as causas do letígio e algumas transcrições de mensagens trocadas entre ambos enquanto planeavam o filme. Acho que foi ela - na vida real esposa de Ryan Reinolds, que saiu "borrada" na pintura. Mas o caso ainda não está decidido. Após ter sido adiado, a acusação vai a tribunal somente a 9 de Março deste ano (2026).  


Mas o filme em si é nota 10. De pegar de início ao fim. Pena que não recebeu mais destaque a pesar de, supostamente, devia ter sido promovido pela Sony. Porém o filme foi apenas distribuido pela companhia. Pertence à colaboração entre os estúdios Columbia, Sak Pictures e Waifarer, pertencente a Boldoni. 


Acho que se pode dizer que a história é sobre ciclos. E como é importante identificar os sinais de repetição e quebrar o que não está bem para que não continue a causar danos nas pessoas e nas gerações futuras. 


Ir ao cinema ver o novo Naked Gun?




 Ainda bem que decidi ir ver o filme "Tubarão" ao invés de Naked Gun na telinha de cinema. 

Afinal, foi a melhor opção, Vi agora o "remake" do filme que se tornou um clássico e não acho que faça juz ao espírito do filme que o inspira. Para começar, critico a realização, o uso excessivo de CGI mas principalmente, o recurso a cenários escuros, iluminação escura, situações que só acontecem de noite. 

Será que essa opção surgiu para disfarçar a avançada idade dos protagonistas?

Mesmo com nomes de "peso" a MAGIA não está lá. Nesse aspeto culpo mais a realização, pois se manteve muito em planos únicos enquanto que, visualmente, nossos cérebros estão habituados a assitir a este tipo de história com determinadas escolhas de posição e ângulos de câmeras. Os filmes originais eram também muito mais vivos, coloridos, iluminados. Mais de acção física e muito a acontecer no enquadramento. 


Nesta versão com Liam Nesson e Pamela Anderson, falta a tensão sexual e o timming cómico do casal original. Tem demasiada acção e violência quando comparado as tramas originais. Apreciei ainda mais a interpretação de Priscila Presley que, com a sua estatura,



o seu timming e, acima de tudo, o seu timbre de voz doce e suave elevou o papel a um ponto que nem a talentosa Pamela Anderson conseguiu suplantar. Uma Marilyn Monroe de seu direito. 

Não consegui dar uma gargalhada sem ser numa cena. Uma cena no filme inteiro tem imensa piada. E essa cena é a da quando o casal protagonista está a em casa na cozinha num momento familiar, a dar festas ao cão e estão a ser vigiados à distância por uma camera que capta o calor humano. Então vê-se as silhuetas dos dois a dar festas ao cão. Porém, de um jeito que dá a entender outras coisas. 

Tirando isso não é um filme memorável. Passa ao lado. 



Barbie - o Filme


 Estrelas: 8



Li tantas reviews a criticar negativamente o filme Barbie - nomeadamente por ter abordado o patriarcado e ser condescendente - e por isso temi ir ver um filme cheio de clichés e com uma narrativa bem ao estilo de clássico, fastioso e previsível de Hollywood. Em vez disso, vi uma história consistente, interessante - que nunca se enrolou num nó. Até o final foi surpreendente. 

Barbie toca no ainda sensível tema do mundo ser governado por homens. E fá-lo de forma sublime, começando por um mundo que é todo das mulheres: O dos bonecos Barbie. Um mundo onde o Ken - o boneco homem, não é dominante.


Daí parte para a realidade e mostra o mundo real. Não sei como é que isso pode suscitar criticismo, pois está bem feito e não mente. Talvez incomode por ser tão autêntico. É que ninguém gosta de ver que, passadas décadas, após tanta mulher ter integrado posições só então permitidas aos homens - afinal, muito no mundo ainda se mantém semelhante.

O filme não segue clichés típicos dos argumentos de hollywood - não nos dá uma adolescente problemática que vai "abrir os olhos" através da boneca - como seria de esperar. Essa magia vem da sua mãe, adulta, responsável, lutadora, que um dia brincou com a Barbie. Através dela, dos seus sonhos, ambições, conquistas e realidade é que se gera toda a história do idealismo e marketing da Barbie. A intenção por detrás da criação da Barbie, representada no filme logo pela abertura, e da projecção das ideias que trouxe para o mundo: o da mulher mais que dona-de-casa e mãe. A mulher advogada, juíza, médica, livre, capaz, inteligente, etc. O filme vai mais longe também e revela as Bárbies "descontinuadas" como a Barbie grávida e a Barbie TV, abordando desta forma indirecta um reflexo do politicamente correcto que se tornou mais dominante na sociedade atual. 


Gostei de "Barbie". Tem um excelente guião, está bem realizado e a história está bem conseguida. Não era, de todo, um tema de filme que me chamava a ver. Fi-lo com poucas expectativas, mesmo tendo sido tão mencionado aquando o aparecimento nas salas de cinema. E saiu-se melhor do que o esperado. 

Bem melhor que outros filmes, de outros géneros, que não passam da mesma coisa reciclada. Não é um filme infantil para os quais os adultos podem olhar, é um filme para os adultos refletirem um pouco, com uma história adulta sobre existencialismo, realidade e com uma mensagem simples: temos de ser nós próprios. 

 

Aracnofobia - os primeiros cinco minutos de filme


 Apenas nos primeiros segundos da abertura do filme "Aracnofobia", toda a imagem, enquadramento, cadência e até mesmo a melodia - soou-me a "Parque Jurássico". Todos sabem que este último filme foi dirigido por Steven Spielberg mas... e Aracnofóbia? 

Para situar: Aracnofobia data de 1990 e Parque Jurássico de 1993.

Vi mais uns segundos do início do filme. Até ao ponto em que o fotógrafo encontra-se com o cientista na selva e todos sobem a montanha de helicóptero, numa sequência que revela a amplitude e beleza do local, ao mesmo tempo que é belo pode também parecer ameaçador, devido à pequenez do helicóptero que parece de brinquedo entre a paisagem. Em 5 minutos temos os créditos e a sinopse da história. Parei aí. As semelhanças são muitas. E a melodia... quer ficar no ouvido e ser escutada novamente. Combina tão bem com as imagens que me espanta que o filme não esteja ao mesmo nível de apreço que tem um "Parque Jurássico", um "ET", um "Tubarão", um "Salteadores da Arca Perdida".



Tive de ir espreitar. Estava a encontrar semelhanças, sabendo que não era o mesmo compositor ou mesmo director. Mas existem semelhanças. Será que é porque existe um padrão de captura de imagens e edição para cada género de filme?
~
Sim, essas coisas existem mas seria muita coincidência. Então fui ao site IMDB ler a ficha técnica completa de cada filme. A primeira coisa que meus olhos encontraram foi o departamento de edição. Mesmo a propósito: aqui é que se faz um filme. Se estava a ser familiar a cadência/sequência de planos e o casamento destes com a música, tinha de espreitar os nomes na equipa de edição. Coincidência: reconheci dois: Alan Cody e Patrick Cane. Assistentes de editor em AMBOS os filmes. Isto explicaria parte da familiaridade. Porém, foi quando fui aos diretores que tudo ficou mais esclarecido (e confuso). 

Aracnofobia foi dirigido por Frank Marshal em 1990. Frank foi o produtor de filmes como "Os salteadores da Arca Perdida" (1981), Poltergeist o fenómeno (1982), Indiana Jones e o Templo Perdido (1984), Gremmlins (1984), Os Goonies (1985), Regresso ao Futuro (1985).

Um currículo e tanto. Destes filmes, muitos são dirigidos por Steven Spielberg. A sua colaboração foi muito profunda, tendo feito parte da companhia de produção de Spielberg - Amblin, em 1980, onde permaneceu até 1991, altura em que só saiu para fundar a sua própria companhia, junto com a esposa. No ano seguinte ele foi para a Paramont e a esposa tomou o comando da Lucas Film. 

Foi um ano antes de sair da Amblin, em 1990, que Marshall se aventurou na direcção e dirigiu ARACNOFOBIA. 
Tinha portanto, uma relação próxima com Spielberg, era seu colega na produtora de cinema e tinha produzido vários sucessos de Spielberg: Portergeist, Gremmlins; Os salteadores da Arca Perdida, Indiana Jones...  Nada mais natural que, numa carreira tão cheia e tão influenciada por diversos artistas mas em particular por Spielberg, que Marchal tenha desenvolvido uma estética visual semelhante a muitos filmes que ajudou a nascer. 

A música porém... a melodia que abre o filme, é de autoria de Trevor Jones. Compositor com muitos créditos em cinema porém, um nome que mal se escuta entre os menos conhecedores. O que me surpreendeu foi saber que Frank Marshal é filho de um compositor e Maestro. Logo, deve ter desenvolvido uma sensibilidade maior para este género e a sua utilidade no cinema. Quanto a Trevor, vale a pena espreitar os filmes para os quais compôs melodias e, se possível, ir escutar algumas. 

E agora vou continuar onde parei e rever "Aracnofobia". Lembro-me que foi um filme que gostei muito. Quando passou novamente na televisão, gravei numa cassete VHS. (Quem se lembra desta tecnologia?). Como era meu hábito na altura, gostava de... editar. E guardar cenas de várias séries que gostava. Mas numa casa onde isso não era possível fazer, tinha de o fazer "escondido", gravando-as no finalzinho das cassetes. Para não desgravar muito, gostava de... Editar os filmes. Cortando cenas mais redundantes. É que, filmes, meus pais me deixavam manter. Mas nada mais que isso. Até a altura deles quererem por algo a gravar até a cassete acabar, por preguiça de programas. As cassetes eram película - algo que até hoje lamento que não continue, pois trazia muitas vantagens. A duração de gravação, sendo uma delas. Hoje mal consigo gravar 30 minutos com o telemóvel. Perco logo bateria, para começar, mas não tenho espaço suficiente, mesmo comprado cartões de 128 Gigas ou assim. As cassetes, sendo película, duravam várias horas. As VHS podiam ter até quatro horas - ou mesmo seis ou dez, como cheguei a ter. O que é muito vantajoso. Duravam muito mais se o formato de gravação escolhido não fosse o SP mas o LP - Long Play. Menos qualidade de imagem, mas mais fita.  

ARACNOFOBIA - o filme. Sobre a história irei falar depois, para não tornar este post mais longo. Viram o filme? 



PS: Mais uns minutos apareceu esta cena, do guia que os conduz até o local apontar numa direcção e dizer que ele não avança mais. Algo nesta cena soou... estranho. Talvez porque vi um índio que me fez lembrar a mini-série brasileira da extinta Manchete "O Guarani".  Mas a questão é que o dialecto falado é... espanhol. ESPANHOL... e índios.... Ah, uma pequena pesquisa me conduziu à Venezuela, e ao Monte Ruraima - um dos Tupuis mencionados apenas por palavra na intro do filme. Mas isso me conduziu à geografia. Sem dúvida que a equipa de produção fez bem a sua pesquisa e a cena de abertura é deslumbrante, mostra paisagens únicas deste grupo de Tupuis (Formações rochosas pré-divisão dos continentes planas no cimo devido à erosão de milhares de anos de vento), uma extensão de 31 Km que abrange três regiões: Brasil, Venezuela e Guiana, na região amazónia.

Um local que agora fiquei com vontade de conhecer. Mas devido às condições, isso dificilmente vai acontecer. É aqui que dá vontade de fazer parte da equipa de produção de um filme como este. Viaja-se muito e conhecem-se lugares únicos. É uma profissão que enriquece muito, a nível pessoal. 

Alien: A saga mais consistente


 Li que o filme Alien Ressurection, o quarto da saga Alien - o oitavo passageiro, é considerado o pior. Não entendo porquê. Para mim é um filme que agarra do princípio ao fim, é inteligente, consegue mostrar novas formas surpreendentes de se matar a criatura e de se morrer com uma. Achei fantástico terem clonado Ripley e mais ainda quando mostraram todas as outras versões mal sucedidas dessa clonagem. 

Gostei que, agora com ADN alienígena, Ripley agisse um pouco como um animal - mais agressiva e a nadar como um golfinho, com os braços para trás. Detalhes que só enriquecem a personagem, agora com o "monstro" não só fazendo parte de si, como a considerando sua mãe!



Tive pena da rainha alienígena quando esta dá à luz o seu bebé de forma dolorida, tal como um humano e o bebé rejeita-a, matando-a. Mais pena tive quando Ripley causa uma morte angustiante à criatura, agora meio humanóide, fazendo jus ao seu carácter anterior. Tive pena porque o que se vê é um filho ansiando pelo amor e carinho da mãe, e esta mata-o e a criança não entende porquê e grita de dor, olhando nos olhos da mãe ainda a clamar por seu amor. 

A forma como decidem matar o "vilão" da história - o homem do laboratório que traiu todos os sobreviventes conduzindo-os ao ninho de ovos, fazendo com que o sobrevivente que carregava um parasita dentro de si, no momento do alienígena sair do seu peito, atirar-se ao vilão e segurando-lhe a cabeça, faz com que o parasita lhe atravesse o crânio. Uma boa vingança, para alguém que se viu vítima indefesa. Um personagem curto, que surge quase no final do filme, mas que tem uma presença forte. Sentimos dó dele e não queremos ver o que lhe vai acontecer...



O filme vai mais além e dá-nos uma cena de acção, com tiros e lutas debaixo de água! Como conseguiram filmar daquela forma é que me deixa curiosa. Como terá sido a experiência para cada um deles? Além de terem de colocar equipamento bem dispendioso debaixo de água para poder capturar as imagens. Na história, tudo isto se passa com apenas um fôlego. Pois, como se sabe, os humanos só conseguem prender a respiração. Não conseguem respirar dentro de água. Embora o filme se passe a muitos anos no futuro, futuro esse que leva a humanidade a viver no espaço e a pilotar super naves, onde é possível fazer clonagem e a existência de robots humanóides, não deu ainda ao homem essa vantagem extraordinária de conseguir respirar debaixo de água. Contudo, nos filmes, os humanos prendem a respiração e conseguem nadar longas distâncias, espantarem-se com algo libertando bolhinhas de ar, lutar com um inimigo, soltarem-se de algo que os prende, e nadar para segurança. Tanto esforço com um só fôlego!
 
Gosto deste filme tanto quando gosto dos outros e discordo que é fraco. Para mim, o plot mais fraco dos quatro - embora também bom, é o segundo. Onde é introduzida uma criança. Porque carga de água decidiram apelar para "o sobrevivente criança" não me caiu muito bem. Nem tão pouco a imediata ligação emocional de Ripley com a miúda. Embora a história seja boa e aquele robot-carga que acaba por conseguir eliminar a criatura, tenha sido uma agradável adição, considero o Aliens" o filme mais fraco, até mesmo nas interpretações. Além de uma criança, meteram fuzileiros. Epa! Que cliché! E uma JA-Jane, que não convence ninguém. Em termos de guião é o mais fraco e aquele que engloba situações mais que vistas e usadas em filmes do género.  



Aliens- a ressureição, deixa espaço para outra sequela. É possível, novamente, ter Signorey Weiver a retornar ao papel. Desta vez como uma idosa de cabelos brancos, reclusa, de paradeiro desconhecido. Apenas um "mito" entre as gerações que se seguiram. Ninguém sabe se viva se morta. Por valores humanos, Ripley estaria morta. Mas com sangue alielígena dentro de si... será que teve a sua longevidade prolongada?

Como ela vive? Onde? Vão voltar a precisar dos conhecimentos dela e terão de a encontrar. 

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No que me diz respeito, ainda continua bastante impressionante e medonha a cena do primeiro filme, quando a criatura rompe do peito do hospedeiro. Nossa! Vi recentemente o filme, que já tem 40 anos! E se as imagens da "criatura" - os dentes metálicos e o tamanho humanóide, por vezes parecem patéticos, a cena da revelação do alienígena é fenomenal e não perdeu NADA para a passagem do tempo.

Esta é capaz de ser a MELHOR saga alguma vez criada pela indústria cinematográfica de hollywood. Um filme tão bom quando o anterior. Algo raro e difícil de conseguir. Que o diga a saga do "Jaws" ou até mesmo "Indiana Jones". 



 



E depois Matei-o


Excelente guião. Um filme que tem de ser visto.

Mexe muito com as emoções. Tem uma autenticidade cortante. Explica muito bem - (bem demais - dá que pensar) como facilmente se cai sem se dar conta em relações amorosas tóxicas, de abuso psicológio e físico, que muitas vezes acabam em tragédia. 

O tema é a violência doméstica. A história gira em torno de um casal muito apaixonado: Catarina e Henrique. Conhecem-se e é paixão à primeira vista. Logo avançam para um compromisso sério: o casamento. Depois começam aquelas situações que se desculpam e se querem pontuais: uns comentários pouco simpáticos, uns gritos aqui, outros acolá, cenas de ciúmes descabidas vindas do nada, uma chapada na cara seguida de um enorme arrependimento, remorso e juras eternas de amor e dedicação. Até o próximo acto de violência. Que é sempre a escalar. 

A história é relatada no presente, quando só um sobrevive. 
E a quem é contada fará toda a diferença.




Gostei bastante deste mini-filme, curta metragem, o que lhe quiserem chamar. Tem uma hora de duração mas um conteúdo precioso como um diamante. 

Passou na RTP Memória no último dia do ano que todos querem esquecer.
Não perca tempo, vá ver. Procure por outros meios mas veja. 


What we do in the shadows - série


10 estrelas (10)

Foi com surpresa e de seguida com muito agrado que um dos filmes que mais me surpreendeu na vida foi adaptado para série. Melhor ainda: com o mesmo encanto.


Falo de "O que fazemos nas sombras" - tradução literal do título do post. 

A série foi lançada em Março deste ano de 2019 e encontrei-a por acaso num site onde procurava um filme. 

Vi o episódio piloto e gostei imenso. Mantêm o espírito do filme em tudo. A dicção, a voz, a personalidade do vampiro protagonista é demais! Sim, é uma história com vampiros, mas em tudo diferente. É inteligente, sagaz, irónica, cómica e muito, mas muito familiar.



De destacar também o papel do "lacaio" humano, que idolatra e serve o seu mestre na esperança que este o transforme em vampiro. A interpretação está sublime. Às tantas a personagem mostra uma imagem do António Bandeiras no filme "Entrevista com o Vampiro" e fala que foi a sua inspiração e força, porque até então não havia existido um vampiro hispánico. Ahah. Adorei!

Mas neste episódio piloto a série aumenta realmente de qualidade assim que surge Colin. Ele também é um vampiro. Mas humano. A sua força é tão forte que ele é temido por os vampiros não humanos. A cena em que ele está a drenar as suas vítimas são fantásticas! "Perderam o valor nutricional" - Ahaha!

E temos uma vampira... apaixonada, cheia de "vida", que vê na rua um sósia de um antigo amor e decide virar sua stalker... nem em momentos de privacidade íntima o rapaz pode estar em paz. Ahahah. Muito bom. 


Jumanji - Bem vindo à Selva (2017)



Estrelas: 9/10

Gostei deste filme.
É o exemplo perfeito de como os preconceitos podem afetar o nosso julgamento.

Antes de o ver, parti do pressuposto de que não ia gostar, por ser um remake.
O filme de 1995, protagonizado por Robin Williams, é perfeito. Para quê outro? 

Enganei-me.

E ainda bem!

Mas culpo a indústria e o próprio marketing ao filme por uma parcela dessa responsabilidade.


Para começar, o filme não remete mais para uma época em que se jogavam jogos de tabuleiro. Passa-se nesta época moderna, de telemóveis, instagram e o diabo a quatro. Todas as piadas estão bem feitas, fieis à natureza humana, à condição de adolescente e à época atual. Ao invés do «mundo de lá» ser puxado para o mundo real, dá-se o inverso. São os jogadores que vão parar a um universo paralelo e, tal e qual um jogo de video, possuem um número limitado de vidas e têm de seguir as instruções. 

Essa parte está tão consistente que não posso deixar de admirar o filme. Também, ao contrário de um jogo de tabuleiro, as personagens principais não são mais adolescentes, elas assumem o "avatar", a personagem fictícia que escolheram no jogo. O que só reforça a consistência do guião e trás mais interesse ao filme. Este deixa de ser protagonizado somente por adolescentes e deixa de ter o foco centrado no único adulto na trama - como foi o caso do Robin Williams no seu Jumanji.


E por não saberem fazer o marketing do filme realçando que é um remake actualizado, responsabilizo a indústria por ser parcialmente responsável pelas críticas negativas dadas ao filme - muitas datadas, tal como me aconteceu, antes do filme sair para os cinemas ou ter sido visto . 


O mundo cinematográfico está a fazer remakes atrás de remakes, tudo para tentar obter lucro fácil com uma fórmula conhecida. O exagero desta opção e os resultados catastróficos da maioria, fez com que nem desse uma hipótese a este Jumanji, interpretado por Dwaine Johnson (The Rock). 

Fiz mal.Mas aprendi a lição. 

Falando em remakes  - stay away, fiquem longe de "Crime no Expresso Oriente". Aqui não vão ser brindados com nada de novo ou refrescante. Pelo contrário: vão ser acolhidos por um sub-produto repleto de caras conhecidas que parecem ali estar para disfarçar a má qualidade. 



English version:

I liked this movie.
It's the perfect example how one's own prejudice can harm our judgment. 

Before I saw this new Jumanji movie I assumed I would not like it, because is a remake. Why? When the 1995 one starred by Robin Williams is so perfect?

What is there to see that hasn't been done so well before?

Well, I was wrong.
But I blame the movie industry and the marketing of the movie itself.

To start with, this 2017 movie doesn't go back to board game times. It's actual, from this time and age, with smartphones, instagram, etc. All jokes are well done, faithful to human nature, to teenager condition, to the actual era. Another big diference lays in the fact that instead of the Jumanji world being brought to the actual one, in this version the players are the ones that get "sucked" into the Jumanji Jungle, were they have to play the game has avatars from their chosen video game characters. Witch I found refreshing and enjoying. All that video games in the middle 90's used to be is there: follow instructions, levels, limited lives, the brave, the strong, the smart, the good looking character... all there.

In the end the movie message is still the same: together we can overcome.

For not being able to marketing the movie for what it is and for allowing the audiences to think it was a copy-paste of the 1995 one, the cinema industry really buried this one. 

But the movie is good. Different and respectful. 
You should watch it
It really isn't a remake, is more of the same story told in a new angle.

Speaking on remakes: stay AWAY from "Murderer on the Orient Express".
This one really is a remake - with all the copy paste you can think off. Has a result, it sucks big time. Is also a under quality product. Watch this same story in the TV episode Poirot and you will feel delight. Much more cinema-like and intense than this peace of... recycled garbage. It comes across like a low quality product that they had to sell it with known actor's so it would have a chance to be appealing. It is not.

I learn my lesson about remakes:
See it first!

Geostorm - Ameaça Global (2017) - o filme que não tem coragem de destruir a torre no Dubai


Estrelas: 6/10

Geostorm é o filme que não tem coragem de destruir a torre dos Emirados Árabes.
Filme-catástrofe, muitas cidades são alvo de destruição mas, miraculosamente, a sequência catastrófica consegue sempre poupar um herói. O cronómetro é parado mesmo no último segundo, os vilões morrem e o herói que se sacrifica afinal safa-se. 


Tudo acaba bem...

Se não formos a pensar nos triliões de prejuízos e vidas perdidas.


O filme é um bom entretenimento, que não acrescenta nada ao género mas também não tira. O conceito de geotempestade novamente explorado, numa perspectiva plausível. Só não é plausível é o tempo imediato que em que as comunicações realizam-se entre a Terra e o Espaço. Ou já agora entre qualquer dispositivo electrónico que surge no filme. Nem a minha internet consegue ser tão rápida. Mas no filme é até possível manter um chat ao vivo entre esses dois pontos distantes. Um upload demora apenas 60 segundos. Um complexo virus informático é eliminado com um simples puxar de alavanca e cada satélite que apontava raios a várias localizações na Terra desliga-se de imediato. É mais instantâneo que o instantâneo.

Efeitos especiais decentes, realização perfeita.


O que menos gostei: do ator principal. A personagem é forçada na interpretação e mal construída.
A segunda coisa que menos gostei: a miúda que faz de filha da personagem principal fala e age como uma adulta com uma compreensão técnica e de vida muito além da sua idade.
O que surpreendeu: o ator que interpretou o irmão mais novo do herói tem ares de Keanu Reeves.
O que gostei: Da presença de actores veteranos.

Boo! - A Madea Halloween (2016)


estrelas: 1/10

Boo (som que se faz ao vaiar) é a palavra certa para definir este filme.
Ou então Grande Porcaria!!

Não entendo como pode um site ter dado três estrelas e meia num total de cinco a esta bosta de filme. Nem sequer tem boas actuações. Tudo é medíocre a roçar o arrepiante de... mau que é. 



Muito, mas muito mau mesmo. Explico a presença de tantas estrelas no simples facto de ser um filme que mostra uma família negra, numa comunidade essencialmente negra, com alguns brancos à mistura. Só pode ser... O voto de simpatia.

O filme é horrível ao ponto de se tornar doloroso ao assistir. 

Interpretações:
Tirando um dos rapazes da fraternidade (branco, jovem, cabelo escuro) que é bastante credível na personagem e a idosa roliça, a tia Bam, que tem medo de tudo, NADA ali se aproveita. Não entendo como foram dar o papel principal a um indivíduo que fez daquilo um horror! Caricaturas, estereótipos e básico-moralismo é o que MAIS define esta caca de filme.



Uma fórmula já vista até à exaustão, que não traz um pingo de criatividade. É até insultuosa por nem sequer mostrar bons talentos.

Nota. uma busca no site do rotten tomatoes revelou que esta «peça de arte» foi escrita, dirigida e interpretada em triato pelo... bosta do intérprete! Ou seja: uma auto-produção que, à semelhança dos filmes de Eddie Murphy e muitos outros desde então, decide que um tipo negro tem de interpretar três ou mais personagens, não sendo bom em nenhuma. Esperem. Tenho de emendar esta parte: sendo muito mau em todas!

Guerra no PLANETA DOS MACACOS (2017)



Estrelas. 7,5/10

O que não gostei neste filme?
Das expressões faciais demasiado humanas de César.
Dos seus olhos 100% humanos.
Dele falar inglês com os seus macacos que falam em linguagem gestual.
Da sua voz.
Da morte do seu filho, que havia evoluído como personagem e que por isso merecia ter continuidade



Gostei mais do filme anterior - Planeta dos Macacos, a revolta (2014). Em termos de enredo e de consistência. "César", falava inglês só quando precisava. Não quando é conveniente para a audiência! Os calões que não gostam de ler legendas nas salas de cinema que se lixem. Nesse aspeto, o filme anterior é mais coerente.


A história:
A guerra entre humanos e macacos continua. Mas desta vez a coisa está mais mesclada. Embora seja um entretenimento e tanto, com cenas verdadeiramente bem feitas, achei a história contada de modo mais fraca. No ritmo, nas emoções, nas sequências e até na motivação de César. Existe alguma predictabilidade e extraordinárias, diria até que impossíveis, escapadas a morte certa. Mas o que mais se nota é a conveniência, o que se traduz em alguns clichés, inclusive de personagens-tipo, elementos que considero menos destacadas em filmes anteriores. 

O que gostei:
Do início. A sequência inicial é simplesmente brutal. Não por causa dos efeitos especiais mas pela carga informativa que contém e a forma brilhante como é transmitida. Adorei as mensagens nos capacetes e toda aquela sequência bélica vista de cima, como se fossemos meros observadores omnipresentes, assistentes contemplativos que não podem intervir e só podem lamentar e chorar. Como quem vê de fora sem estar de corpo presente. A carga emocional e a capacidade de resumir toda a história em poucas imagens é feita com mestria. Sem ser necessário meter os personagens a fazer o «resumo» dos filmes anteriores, o que seria de um grande amadorismo e preguiça indesculpável.   


O que destaco:
Continuo a achar impressionante o facto destes filmes conseguirem a proeza de colocar toda a humanidade a torcer pelos macacos, a chorar por e com eles e não lamentar nem um segundo as mortes humanas. Aliás, os humanos morrem aos molhos nos filmes do "Planeta dos Macacos" e nós, que somos dessa espécie, assim o desejamos. Estamos o tempo todo a torcer pelos macacos. Que se comportam como a espécie pacífica e realmente humana.


Algumas opiniões mais detalhadas com as quais concordo



Get Out! - Corra (filme 2017)



Estrelas: 8/10

Adorei este filme!
Achei-o surpreendente, firme no enredo, verosímil na história.




Chris e Rose são um casal inter-racial que vão passar um fim-de-semana à casa dos pais dela. Pela primeira vez, Rose, de etnia branca, vai apresentar o namorado, de etnia negra, à família. Será que eles vão ter algum problema com isso?

Rose garante que não - pois o pai até votaria em Obama para a presidência por um terceiro mandato, se pudesse. E de facto, quando Chris chega à enorme mansão da família, é bem recebido. Ao mesmo tempo algo estranho se passa. Nenhuma conversa é mantida sem se fazerem referências à sua cor de pele. Num convívio social - pois coincide que nesse fim-de-semana é também a altura do ano em que a família reúne todos os amigos influentes em casa - Chris é até apalpado pelos seus músculos, como se fosse uma peça em leilão no tempo da venda de escravos.

Mas o que Chris mais estranha são os dois empregados da casa - ambos negros como ele, mas com um comportamento estranho, que oscila entre o doente mental e o normal. Naquela casa, os empregados vestem-se e falam como se vivessem nos anos 30...

Numa tour ao lar, o pai de Rose, cirurgião, faz questão de levar Chris até às fotos da família, onde aponta para o retrato do seu falecido pai, um ex-atleta de salto e corrida que participou nos Jogos Olímpicos de 1936, na então Alemanha nazi. O que aconteceu nesse ano que ficou na história? Jesse Owens, um atleta Americano de origem africana bateu todos os outros - inclusive os de raça ariana, (que a propaganda de Hitler dizia ser de raça superior) e conquistou o primeiro lugar num pódio.


Conforme dá para entender, as conversas giram em círculos mas parecem sempre ir ter a um tema em particular: raça - brancos e negros. 

De todos os membros da família que Chris foi conhecer, a mais «normal» parece ser a mãe, psiquiatra de profissão. Isto até o momento em que Chris é convidado a entrar no escritório dela... e esta usa um trauma de infância de Chris para o hipnotizar.

Se as coisas eram estranhas até aqui esperem só até os restantes convidados chegarem...


Não vou contar mais sobre a história mas quero reforçar o quando gostei do filme e que partes me surpreenderam mais. 

Uma delas foi o desfecho. Quando surge um veículo com luzes azuis e vermelhas a piscar pensei que ia ser um desfecho típico dentro daquelas circunstâncias: finalmente, chegava a polícia. E infelizmente para o nosso «herói», o polícia ia ser o mesmo que o parou na estrada na viagem até ali. 

Surpreendeu-me esse final.

Outro aspecto que gostei foi o de perceber que a personagem idiota do filme, aquele tipo que só pensa e diz parvoíces é, afinal, o que está certo o tempo todo. Ahahah. Bem feito para todos os «normais» que julgam que os «idiotas» nunca podem ter razão. Kkkk.


Também me surpreendeu o real motivo de toda aquela movimentação. Pensei eu que hipnose era o máximo do que ali acontecia com certas pessoas mas, afinal, tudo está muito mais conectado e enraizado... Não sei se a invasão, ao invés da adopção, seria a opção escolhida se, de facto, a noção de racismo fosse a questão fulcral - que não é. O surpreendente do filme também é isso. A questão principal é na realidade outra e são duas: o desejar viver para sempre e o viver para sempre jovem, saudável e em super-forma.

Neste sentido o filme mostra que a "raça superior" é outra - e a sua «escolha» em nada recaí sobre conceitos de racismo, mas em conceitos de biologia.

Então não deixa de ser engraçado e, mais uma vez, surpreendente, quando, mais para o final, percebemos quem são as pessoas a quem Rose chama de avó e avô...



Um filme a não perder.
Ah, e falta mencionar o quanto torcemos pelo «herói» no final e apreciamos quando inescrupulosamente este começa a virar o jogo... 


Cenas pouco credíveis que «arruinariam» a história se esta não nos agradasse tanto:

1- A cirurgia começar sem a presença do principal elemento (a sequência não me parece muito lógica).

2- Não resistirem a mostrar uma poça de sangue a jorrar da cabeça de um indivíduo (que, no mínimo precisava de ter tido o crânio rachado, presumo eu) e fazerem como naqueles filmes em que um tipo é baleado não se sabem quantas vezes e continua a vir atrás e a perseguir.... Só para mostrarem um elemento crucial referido duas vezes: na abertura do filme e durante o jantar de família. Contudo, apreciei esse elemento. 


Também achei no youtube esta pequena paródia aos elementos do filme e fartei-me de rir. Por isso não deixo aqui nenhum trailler - pois este denuncia tudo o que surge no filme - mas a paródia. A ver se chegam lá.... eheheh.


 
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