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O Quinto filme do Indiana Jones: A Relíquia do Destino


 

O Quinto filme da saga Indiana Jones sofre do mesmo mal de muitos que o antecedem: é demasiado longo, com extensas cenas de perseguição onde uma pessoa simplesmente "desliga" o cérebro enquanto aguarda que se volte ao diálogo ou a algo que desenvolva a trama. 

É visível o esforço para compactar no filme todas as cenas ÍCÓNICAS de mais sucesso dos filmes anteriores, principalmente do primeiro. E geralmente costumo apreciar bastante esses esforços. Considero-os uma homenagem. Mas, de alguma forma, neste filme isso não resulta. Tudo soa a "requintado", a "já visto antes".

Quando todas as cenas fazem lembrar enquadramentos e circunstâncias idênticas pelas quais o herói já se deixou ver, a coisa não funciona como um "Uau! Que maravilha" mas mais a... "humm... vão fazer deste modo. Sem graça".

A excepção vai para a cena que quase finaliza o filme, que reproduz com alguma inteligência a icónica cena dos  "Salteadores da arca perdida" na qual  Indiana Jones está cansado e Marion tenta cuidar de um ferimento deste, que se irrita com os cuidados dela e ela, também irritada, pergunta-lhe." Mas que raio Indy! Onde é que não te dói?". 

Essa cena, reproduzida de forma invertida e mais madura, com os protagonistas 30 anos mais velhos, cai bem de ver. No final, fica um trocadilho: vê-se o chapéu do herói literalmente PENDURADO na corda a secar. Depois uma mão o puxa para dentro. 

Claramente uma alegoria dizendo que este não é o último filme sobre o herói. O chapéu "pendurado" não fica pendurado. É removido em sinal que mais aventuras virão. 

E sim, podem vir. Isso é garantido, na realidade. Numa época em que se recicla heróis atrás de heróis, super-homens, homens-aranhas e mais uma dúzia deles que nunca ouvi falar - Indy, um herói sem super-poderes será, certamente, no futuro, encarnado novamente no cinema por um rapaz que nem tinha nascido quando o primeiro filme foi lançado. E talvez, o melhor dessas tentativas futuras, será protagonizado por alguém que vai nascer este ano ou no ano de lançamento do filme. Quem sabe nascido no "fatídico" ano de 2022, em plena pandemia? Já que a pandemia atrasou a produção do filme.

Como se sabe, para este filme recorreu-se à tecnologia mais moderna para fazer rejuvenescer o rosto do ator. No início do filme, década dos anos 30, o actor deve parecer jovem. Harrison Ford, que lhe deu vida, está quase com 90 anos pelo que o rejuvenescimento era mesmo necessário. 

Acontece que a técnica usada para esse rejuvenescimento digital (de-aging) recorreu ao uso de Inteligência Artificial (AI), na qual uma máquina recebe a informação de todas as expressões do ator de todas as posições e movimentos e depois as consegue reproduzir em "cima" de um outro ator. Esta possibilidade está longe de ser nova, só a forma como vai sendo feita tem progredido. 

Já tivemos pessoas "mortas" a atuar, como foi o caso com o ator Harold Ramis, falecido em 2014 mas que "actuou" em 2021 voltando a re-encarnar o Dr. Egon Spengler, sua personagem no filme Os Caça-Fantasmas. Nessa ocasião também se recorreu a imagens de arquivo e a duplos de corpo. 

Mas neste quinto filme, essa técnica não resultou na perfeição. Logo de início a sequência causa alguma estranheza. Diria até que esta AI não é capaz de fornecer a autenticidade de outras técnicas, como o croma-key e o fato de sensores. 

O rosto de Harrison Ford, numa só sequência, ia alternando entre o ano de 1984 e 2001 - aproximadamente. O seu rosto parecia jovem mas virava o pescoço noutra sequência e claramente estavamos a ver o rosto do ator duas décadas mais velho. Ainda assim, resulta. Mas... nota-se a imperfeição. Numa das cenas, em cima de um comboio, o olhar do ator, ás tantas, é vermelho, como se "possuído" da capacidade de fogo. 

Falando nisso, esta "correria" em cima de um comboio já de si soa a "requentado". Já tinhamos visto isto na cena icónica do terceiro filme, protagonizado pelo sempre jovem River Fenix e noutras cenas com Harrison Ford também. Tem a perseguição com motas nazis da segunda guerra mundial? Tem. Tem a travessia de uma ponte em tábuas de madeira e cordas? Tem. Tem cobras? Tem. Do mar, com eletricidade, mas tem. Tem um adolescente comparsa? Tem. Acho que só não teve um animal, um pequeno macaco nem uma gigante pedra redonda a rebolar na sua direção. Mas também o filme foi um tanto enfadonho que quando a vontade de ir ao WC surgiu, fui e nem me importei em perder mais cenas. 

Filmes de aventuras não precisam necessariamente de apresentar acção mirabolante a cada minuto, intercalando 20 minutos de acção com um de sossego. A fórmula está gasta e é preciso se ser muito criativo em todos os sentidos - na direcção, no guião, etc, para cativar uma audiência que já consumiu esse "prato" vezes e vezes sem conta em múltiplas e sucessivas produções nos últimos 50 anos. 


   

, ele "Pendura o chapéu" 

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