Matthew McConaughey e A personagem
sábado, 1 de março de 2014
Não sei porque tanto espanto pela actuação de Matthew McConaughey no filme onde faz de homofóbico que descobre ter SIDA - um filme inspirado numa história real passada na década de 80.
Só quem não o viu como um homossexual com perversas e secretas preferências sexuais no surpreendente filme "The paperboy - um rapaz do Sul" pode realmente se surpreender por o actor revelar talento num tipo de papel que não é aquele pelo qual melhor é reconhecido: o galã surfista.
EM PapperBoy as «estrelas» morrem. E mais não digo. Só revelo que a morte é real e não segue as tendências irrealistas que habitualmente se sucedem nos filmes. Aqui não existe uma chuva de balas às quais os heróis conseguem se escapar sempre. Aqui existe o perigo e chegar perto resulta na sua concretização definitiva.
Em hollywood um actor que viveu de papéis de galã pode sempre reinventar-se. É muito mais difícil para uma mulher. Não é impossível, mas difícil. Diria que Michelle Pheifer se esforça mas não conseguiu essa virada na sua carreira e muito menos Meg Ryan. Mas depois surgem casos como o de Nicole Kidman, o de Jodie Foster e mais ainda o de Julianne Moore. Mas estas não basearam as suas carreiras no esteriotipado papel de mulheres sedutoras, sempre variaram. Pelo que mais facilmente conseguem a transição. Já os homens, esses também encontram dificuldades. Mas pessoalmente o que mais observo é o mito dos grandes talentos. Atores como Jack Nicolson, sinceramente, não consigo entender o fascínio. Julgo que vive dos louros de ter gritado que nem um doido elevando um machado na mão. Sim, fez brilhantemente "voando sobre um ninho de cucos", mas foi o alucinado com o machado na mão que o «carimbou» e daí adiante virou um «dinossauro» de hollywood. Filmografia que justifique ou comprove a reputação que tem, muito pouca. Talvez o Jocker num dos filmes do Batman mas cá está: novamente trata-se do mesmo género de papel do homem louco com o machado na mão. Tirando isso meteu-se em comédias românticas onde seduzia uma série de mulheres? Em que planeta, pergunto eu? Nada credivel e pouco interessante, mas assim como Matthew McConaughey parece ter espantado meio mundo por ter saído do papel de moço romântico, ninguém parece espantar-se por um velho Jack Nicolson regredir para esse género.
filme King Kong (1976)
domingo, 19 de janeiro de 2014
Uma casualidade fez-me colocar o filme King-Kong (1976) a passar em DVD e fiquei de imediato agarrada. Logo no início do filme a história agarra, ainda que não se saia do cais do porto e as personagens não estejam a fazer nada de extraordinário.
É raro hoje em dia fazerem um filme em que todos os intervenientes tenham o seu espaço. Ali os actores cujas personagens não passam de coadjuvantes se têm algo a fazer e o podem fazer com falas, fazem-no. A câmara não se esquiva deles, tornando-os os mais secundários e apagados possíveis. Não. Até grandes planos de personagens secundárias se fizeram só para esta gritar "está feito!".
E isso me agrada, porque não gosto de ver um filme em que todas as cenas são com o ator principal e os secundários são silhuetas disformes ou escurecidas no plano ou vozes fora de cena. Para vedetimos que façam monólogos. E depois, imagino o actor que participa num grande filme e não tem como o provar. Porque um filme é feito por milhares de pessoas e garanto que todas devem sentir satisfação por terem contribuído para tudo aquilo. Mas alguns - a maioria, mesmo entre actores, não vão poder dizer: "aquele ali sou eu!", vários anos depois, para mostrar aos netos, entendem? Porque a maior parte das vezes estão ali só a encher. No caso desta versão de King-Kong isso é o menos verdade possível. Então sei que algures um homem diz para uma criança: "este que gritou «está feito» sou eu!" e a criança vai ficar vidrada naquele segundo em que o rosto do avô surge na tela, provando que ele fez parte daquele "grande" filme.
Mas o filme é fantástico em muitos outros sentidos. Para mim é o melhor que já vi sobre a história do King Kong. Ele baseia-se mais na história do que no fantástico. Sim, foi feito um boneco de 14 ou 12 metros de altura. Sim, foi gasto dinheiro... mas e daí? Ao menos com todas essas condições fizeram um filme de jeito, e não se limitaram a um show de efeitos especiais e falsos pretextos para exibir ainda mais a espectacularidade dos mesmos.
Kong não se destaca e faz todo o filme, ele o complementa e sobressai quando é para sobressair. Nesta versão temos uma criatura gigante mas com coração. Kong é um romântico. Ele se encanta por aquela criatura branquela e loura que é tão diferente de todas as que já lhe haviam sido oferecidas. Ganha-lhe estima como algumas pessoas ganham imediata simpatia por um animal de estimação a primeira vez que o olham numa loja ou lugar de venda qualquer. Kong, o gigante, agarra-a na palma da mão com uma delicadeza que só podemos imaginar. Como é que aquele gigante no decorrer de tanta agressão continua a segurar a sua querida e não se descuida e lhe esmaga os ossitos todos é a prova do quanto sente genuína afeição por ela. Seria o equivalente de um ser humano adulto segurar na mão uma frágil borboleta e conseguir não a machucar, nem sequer nas delicadas asas.
Jessica Lange tem um ar fresco e atraente como se deseja para a personagem. Ela passa o filme todo a tapar as pernas com a parte de trás do vestido da cerimónia de sacrifício - vai-se lá perceber. Podia ficar descansada que estava menos exposta com aqueles dois trapinhos compridos do que com os calções shorts que usava antes do rapto. A sensualidade por vezes transparece não na irreverência da indumentária mas na ousadia da simplicidade de outras. Deduzo por este pequeno pormenor que a actriz não estava assim tão confortável com a ideia de interpretar uma daquelas personagens femininas que são todas boas, usam decotes avantajados e vão ficando cada vez com menos roupa à medida que a história avança... Mas não tem com o que se preocupar. Se esteve não deixou transparecer. Até porque chega Jeff Bridges que prontamente a salva e lhe entrega a camisa, ficando agora ele de tronco nu. Uma pena não usar a moda de agora, que é uma t-shirt normalmente branca com uma camisa :) Assim escusava ele, também a certa parte do filme, de se sentir um tanto "desnudo". Um "herói" parcialmente desnudo deixa actores apreensivos...
Mas não era sobre nada disto que me queria alongar. Onde queria perder mais tempo já que tanto mais já se pode saber sobre este filme é exatamente por onde comecei a o relatar. No detalhe de todos os que nele participaram como atores eram de facto bons. Inclusive os que faziam os papéis mais secundários, com poucas ou nenhumas falas. Percebe-se de imediato logo na cena de abertura, que se passa no cais de embarque. Dentro do navio também vamos percebendo quem é parte da tripulação. Por exemplo, o cozinheiro é um rapaz oriental. Se tem falas não percebi mas em alguns planos parece estar "presente" em cena, como um simples homem que gosta de olhar para uma mulher atraente por exemplo, ou um expectante membro da tripulação a observar a partida dos pesquisadores. Mas não está ali só a preencher o espaço, à espera que os atores principais terminem a cena. Entendem o que quero dizer? Tem presença. Não é um figurante de "encher" o ecrã. Mais tarde já volto a ele.
Foram todos bem escalados para os papéis. Um nome durante o genérico final captou a minha atenção: Selznick. Rebobinei e fui ver: o nome era Joyce Selznick. Ora, para um cinéfilo mais ou menos informado, sabe que este apelido está diretamente relacionado com um período importante da história da época dourada do cinema de hollywood. David O' Selznick foi um produtor de renome, responsável pelo grande filme "E tudo o Vento Levou" (1939). Claro que pela altura de 1976 não esperava que fosse ele mas segui o instinto e confirmei que Joyce Selznick era uma sobrinha sua, que trabalhou anos como directora de elenco e agente. Ou seja: por ela (e seus associados) também passou a decisão de achar e contratar os actores certos para os desejados papéis. Será que era a ela que se devia esta atenção de casting que acabara por observar?
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| Rick Backer |
Ter pesquisado a ligação desta Selznick levou-me a um link com o nome do elenco de King-Kong. E foi aí que me impressionei mais. Porque confirmei com um vislumbre esta impressão de que o casting foi muito bem pensado. Reparei que ao lado dos nomes e das fotografias dos actores, agora quase 40 anos mais velhos, não existiam os habituais indícios de falta de actividade profissional ou desaparecimento por morte. Quase todos ainda vivos, e activos. Segui um link curioso: o do actor que fez de King-Kong. Sim, eles usaram robots mas também tiveram cenas em que foi preciso um homem num fato. Essa pessoa, reconheci-a pelo olhar, foi o artista de maquilhagem Rick Backer. Bom, é tão vasto o CV deste homem que trabalhou como maquilhador ou criador de efeitos especiais em filmes como Um Lobisomem americano em Londres (1981), o video-clip Thriller (Michael Jackson 1983), até o mais recente Homens de Negro 2 e 3 (2002/2012) passando pela série de TV "A bela e o mostro" (1987/90) que mais vale espreitarem o link acima.
Sabemos que os atores principais, Jeff Bridges e Jessica Lange ainda andam por aí. Os restantes não se sabe tão bem. Mas nesse vislumbre deu para perceber que continuaram todos a progredir nas carreiras. Charles Grodin, que fez o ambicioso Fred, é um actor conhecido do grande público por entrar em várias séries de TV conhecidas. Mas também entrou em filmes populares como Beethoven (1992). O actor que faz o capitão do navio neste filme, John Randolph já faleceu, mas também ele vinha e continuou a ter uma carreira evolutiva em TV e cinema. Era ele, a exemplo, o senhor da livraria tradicional no filme estrelado por Tom Hanks e Meg Ryan "Você tem uma mensagem" (You got mail - 1998). E lembram-se de ter falado no rapaz oriental, cozinheiro em King-Kong que, se teve uma fala nem sequer a percebi? Pois tratava-se lá em 1976 de John Lone, actor que veio a interpretar o papel do Imperador Pu Yi em adulto, no filme "O último Imperador" (1987). Fez também mais alguns filmes, de acção principalmente, como o Hora de Ponta 2 (2001).
Não é tão comum assim ver um vasto elenco que participou num grande filme progredir na carreira conseguindo sempre viver vários momentos altos. Isso só acontece se forem todos muito bem escolhidos. Pelo seu talento como atores.
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| Dino de Laurentis |
Para finalizar esta «homenage» ao filme King Kong de 1976, termino por dizer que descobri neste "passeio" por links para confirmar se de facto o artista de maquilhagem foi realmente o homem que vestiu o fato e não um ator como é habitual (já que a pessoa que o fez não recebeu crédito no filme) e visto que várias fontes o referenciam, descobri numa delas a curiosidade sobre outras actrizes que também prestaram provas para o papel de Dwan. Uma foi Meryl Streep que ao terminar a audição percebeu que o produtor Dino de Laurentis (outro nome bem firmado do panorama artístico) a rejeitou de imediato ao concluir "é feia" na sua língua materna (Italiano). Desconhecendo que Meryl percebeu a crítica que a "chumbou". Ou seja, para o papel não era atraente o suficiente ou não possuía o tipo de beleza que Laurentis procurava e acabou por encontrar em Jessica Lange. Meryl entretanto construiu uma carreira tal que pode sentir-se "vingada" por todos os papéis desejados que lhe viu serem recusados :) Além de que pior seria se o produtor tivesse comentado que não era talentosa.
Outra curiosidade sobre este maravilhoso filme: Bo Dereck foi uma das actrizes que recusaram de imediato o papel.
Deuce Bigalow - um gigolo na Europa
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
O filme acabou de passar no canal AXN Black e mais uma vez foi rir do princípio ao fim.
ADORO este filme. A razão é simples: faz-me rir e aprecio o estilo de humor.
Para minha surpresa um site como o Roten Tomates avalia (o primeiro filme) como algo que jamais devia ser feito. Diz que é o pior de sempre e que não faz rir. Oh, não podiam estar mais equivocados. Pergunto-me então o que para estes críticos faz rir e vale a pena ver. Porque do conjunto de filmes-porcaria do género que existem por aí, tantos e tantos que até conseguem um bom dinheiro de bilheteira são terrívelmente maus de assistir. A dar na TV num canal que nem prestei atenção e logo mudei estava "Ali G". Um filme que infelizmente fui espreitar no cinema e ainda no início quando passava o genérico já me arrependia de estar a ver. Continuei e só comprovei a sensação.
Pelo que se querem um termo de comparação do que considero um bom filme de humor deste género e um que considero bosta, aqui o têm.
Porquê Deuce Bigalow um gigolo na Europa é um bom filme?
1- Excelentes interpretações
2- Excelente timming (nada fica no ar por mais tempo que o necessário)
3- Excelente guião
4- Excelente sequências
5- Excelentes trocadilhos
6- Excelente entroncamento da moral com o preconceito
Sinopse à tuga:
À semelhança de qualquer profissão de prestígio e de grande notoriedade pública, a profissão de Gigolo é retratada como se todos os membros fossem actores de primeira estripe na passarela vermelha de hollywood. Têm um sindicato e competem entre si para receberem um prémio de melhor "pau" no festival que se realiza todos os anos. A estatueta é em tudo semelhante aos Óscares: um homem dourado mas tem uma pequena protuberância à las "Caldas", se é que me entendem.
Mas isso é só um detalhe (que até é bem aproveitado no filme) entre muitos que dá consistência e interesse ao humor da história. TJ Hicks (Eddie Grifin) é o suspeito de ser o assassino em série que anda a matar os prostitutos (humoristicamente referidos como she-whore - "homem-puta" na tradução que vi agora no filme). Ele é um gigolo que acaba sempre por se encontrar com os cadáveres assassinados pelo verdadeiro assassino momentos antes do acto consumido. E sempre que o faz, parece estar particularmente interessado naquela parte particular da anatomia masculina. Aquela, sabem, que os faz "famosos" e muito solicitados.
Claro que por aqui parece algo já tão batido... Mas o filme consegue tornar toda a sequência tão natural que não é isso que se pensa quando se vê as sequências. A interpretação é soberba - realmente soberba. Não só deste como de todos os actores e actrizes. A actriz (Hanna Verboom) que faz de namorada da personagem principal (Deuce Bigalow) entrega uma prestação soberba. Claro que não sabia quem ela era e tive de pesquisar. Pesquisem também porque se trata de uma figura multi-talentosa o que, aliás, fica nítido no filme. O papel de gigolo no filme obriga a que TJ Hicks use vários disfarces ao longo da trama e isso torna tudo ainda mais hilário e é aproveitada a oportunidade para incluir várias piadas - muitas sobre a profissão de gigolo e outras tantas sobre preconceitos e tabus sobre a cor de pele, e todas caem muito bem nas cenas. No final reparei agora numa piada que até achei piada: os prostitutos masculinos, para se "fazerem grandes" colocam "enchumaços" nas partes íntimas para parecerem mais másculos. Numa determinada cena todos se denunciam e removem os referidos apêndices. Um tira um enorme pepino mas um prostituto asiático, no qual já existiu referência sobre a constituição física, tira para fora algo parecido a uma chiclete. Fartei de rir! Mas o filme conclui através da sua trama, que o tamanho não importa. Para satisfazer uma mulher é preciso é possuir outras qualidades :)
É um bom filme. Vê-se todo de início ao fim sem nos darmos conta do tempo a passar.
ADORO este filme. A razão é simples: faz-me rir e aprecio o estilo de humor.
Para minha surpresa um site como o Roten Tomates avalia (o primeiro filme) como algo que jamais devia ser feito. Diz que é o pior de sempre e que não faz rir. Oh, não podiam estar mais equivocados. Pergunto-me então o que para estes críticos faz rir e vale a pena ver. Porque do conjunto de filmes-porcaria do género que existem por aí, tantos e tantos que até conseguem um bom dinheiro de bilheteira são terrívelmente maus de assistir. A dar na TV num canal que nem prestei atenção e logo mudei estava "Ali G". Um filme que infelizmente fui espreitar no cinema e ainda no início quando passava o genérico já me arrependia de estar a ver. Continuei e só comprovei a sensação.
Pelo que se querem um termo de comparação do que considero um bom filme de humor deste género e um que considero bosta, aqui o têm.
Porquê Deuce Bigalow um gigolo na Europa é um bom filme?
1- Excelentes interpretações
2- Excelente timming (nada fica no ar por mais tempo que o necessário)
3- Excelente guião
4- Excelente sequências
5- Excelentes trocadilhos
6- Excelente entroncamento da moral com o preconceito
Sinopse à tuga:
À semelhança de qualquer profissão de prestígio e de grande notoriedade pública, a profissão de Gigolo é retratada como se todos os membros fossem actores de primeira estripe na passarela vermelha de hollywood. Têm um sindicato e competem entre si para receberem um prémio de melhor "pau" no festival que se realiza todos os anos. A estatueta é em tudo semelhante aos Óscares: um homem dourado mas tem uma pequena protuberância à las "Caldas", se é que me entendem.
Mas isso é só um detalhe (que até é bem aproveitado no filme) entre muitos que dá consistência e interesse ao humor da história. TJ Hicks (Eddie Grifin) é o suspeito de ser o assassino em série que anda a matar os prostitutos (humoristicamente referidos como she-whore - "homem-puta" na tradução que vi agora no filme). Ele é um gigolo que acaba sempre por se encontrar com os cadáveres assassinados pelo verdadeiro assassino momentos antes do acto consumido. E sempre que o faz, parece estar particularmente interessado naquela parte particular da anatomia masculina. Aquela, sabem, que os faz "famosos" e muito solicitados.
Claro que por aqui parece algo já tão batido... Mas o filme consegue tornar toda a sequência tão natural que não é isso que se pensa quando se vê as sequências. A interpretação é soberba - realmente soberba. Não só deste como de todos os actores e actrizes. A actriz (Hanna Verboom) que faz de namorada da personagem principal (Deuce Bigalow) entrega uma prestação soberba. Claro que não sabia quem ela era e tive de pesquisar. Pesquisem também porque se trata de uma figura multi-talentosa o que, aliás, fica nítido no filme. O papel de gigolo no filme obriga a que TJ Hicks use vários disfarces ao longo da trama e isso torna tudo ainda mais hilário e é aproveitada a oportunidade para incluir várias piadas - muitas sobre a profissão de gigolo e outras tantas sobre preconceitos e tabus sobre a cor de pele, e todas caem muito bem nas cenas. No final reparei agora numa piada que até achei piada: os prostitutos masculinos, para se "fazerem grandes" colocam "enchumaços" nas partes íntimas para parecerem mais másculos. Numa determinada cena todos se denunciam e removem os referidos apêndices. Um tira um enorme pepino mas um prostituto asiático, no qual já existiu referência sobre a constituição física, tira para fora algo parecido a uma chiclete. Fartei de rir! Mas o filme conclui através da sua trama, que o tamanho não importa. Para satisfazer uma mulher é preciso é possuir outras qualidades :)
É um bom filme. Vê-se todo de início ao fim sem nos darmos conta do tempo a passar.
Pernell Roberts
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Victor French
quinta-feira, 18 de julho de 2013
Infelizmente o mundo não recorda todos os artistas nem todos os grandes talentos da mesma maneira. Os mais conhecidos costumam ser aqueles que "arrebentam" na TV ou seduzem no cinema. Muitas vezes ao lado destes existem actores mais experientes, mais talentosos e com um maior leque de capacidades artísticas - que se eclipsam diante de outros talentos que surgem com um rosto mais bonito ou mais carismático, ou uma novidade.
Talvez tenha sido, talvez não, o caso de Pernell Roberts - actor que a pesar de estar descontente com o rumo da sua personagem e ter deixado a série assim que possível por contrato, acabou por não cair no esquecimento exatamente por ter retratado na TV "Adam", um dos irmãos Cartwright na série BONANZA.
Vamos recordar?
O actor e cantor faleceu em 2010 da mesma doença que vitimou o seu co-companheiro da série Michael Landon em 1991 - cancro do pâncreas - doença também responsável dois anos antes pelo desaparecimento do actor Patrick Swayze, que havia perdido o pai para a mesma doença com a mesma idade. E para que se perceba o quanto o cancro (câncer) foi uma doença que apanhou muitas pessoas e artistas da geração dos cigarros, bebida e drogas - imagem tantas vezes promovida pelo cinema da época como um elemento de glamour e machismo, Lorne Greene que fez o pai Cartwright na série Bonanza também faleceu de complicações de um cancro, assim como Merlin Olsen (Uma casa na Pradaria RIP: 2010) e Victor French (Um Anjo na Terra RIP:1989) - actores e colegas de elenco de Michael Landon.
Jerry Orbach
Lembro dele pela forte presença no papel de um criminoso em F/X - efeito mortais, filme no qual é feito uma máscara real do seu rosto. Lembro também de ser ele a dar uma excelente interpretação do pai de "baby" no filme Dirty Dancing - gostando particularmente da forma como transpõe a sua profissão de médico sempre correcto mas que quase falha quando moralmente algo o destabiliza.
Infelizmente, foi ele que teve de entregar a frase mais PIROSA do filme:
"I know it wasn't you that nock up that girl".
Jerry Orbach era o nome do actor.
Vamos recordar.
O actor doou as córneas após o falecimento e a ele prestaram uma rara homenagem na Brodway, por onde andou vários anos ao longo da sua carreira: diminuíram as luzes dos letreiros em lembrança da sua vida e do sentimento de perda artística.
Ester Williams faleceu
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sexta-feira, 7 de junho de 2013
Aos 91 anos, a "sereia de Hollywood" faleceu no passado dia 6 de Junho.
Eu nem sabia que ainda era viva, esta artista que fez parte dos glamorosos Anos Dourados do cinema de Hollywood (30/40), nomeadamente os estúdios MGM.Será que mais alguém ainda está vivo?
Tirando Olivia de Havilland - que fez de Mellany Wilkes no filme "E Tudo o Vento Levou" (1939) - ironicamente a primeira personagem a falecer no filme, a geração ANOS DOURADOS de HOLLYWOOD é uma espécie mesmo à beira da extinção. Estamos a assistir à luz das últimas estrelas a se apagar...
Olivia é irmã mais velha de outra conhecida actriz dos anos dourados de Hollywood de nome Joan Fontaine (Rebecca - 1940). Ambas estão vivas, tendo nascido em 1916 e 1917 e pelo pouco que se sabe desta relação sanguínea, não se devem dar bem sendo rivais de profissão. Estarão a competir entre si para ver quem sobrevive mais tempo?).
Mais alguém se recorda de um nome de uma estrela dos ANOS DOURADOS de Hollywood que se mantenha firmemente vivo na terra?
O que faz um bom actor?
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Um eléctrico chamado desejo
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Eu era apenas uma criança e Marlon Brando era apontado como um grande actor de créditos firmados. E esse actor fez o Kar-El no filme "Super Homem", que ia agora estrear na televisão. A fama do "grande actor" antecedeu a exibição e "tomou conta" da propaganda ao filme, protagonizado por um tal de Christopher Reeve, actor menos conhecido e de quem poucos falavam. Era Brando, o mítico, o grande. Brando, Brando, Brando! Uma honra para qualquer director.
Vi o filme e embora tenha achado a prestação forte, não foi este papel o suficiente para poder partilhar da opinião "universal" de que estava diante de um fenómeno à parte de qualquer outro na arte de representar. A reputação de Brando era antecedida por tãos largos elogios e rasgação de seda que é normal que se espere um desempenho para além das expectativas (pobre Brando, pobres artistas assim tão famosos...)
Brando não fez muitos filmes - pelo menos que surgissem na TV com regularidade. Mas fez dois ou três que valem, em reputação, como se tivesse feito uma centena. Um desses foi o mítico (é só miticismo) Apocalipse Now. Quando o vi naquele papel, perguntei a mim mesma porque carga de água estavam a endeusar aquele artista e a enobrecer tanto assim o seu papel e o seu imaculado desempenho. Metade das vezes nem entendia o que ele estava a dizer. A voz saía como um murmúrio e a interpretação física era um tanto limitada pelo facto de quase não o ver, tal é a escuridão no filme, e no facto de este estar simplesmente sentado, a entregar as falas. Não que tivesse falhado, mas não achei que toda a aurea que o rodeia fosse realmente merecida.
A indústria e as pessoas é que criam a popularidade dos actores e os que querem que se destaquem. Normalmente existe um denominador comum: a beleza. Aquele que exercer o maior poder de sedução/intriga, aquele que conseguir fazer suspirar a mulherada na plateia do cinema, faz os homens desejar ter a sua pinta e é um fenómeno de vendas, será o actor/actriz onde a indústria vai apostar com mais afinco. Existe uma reputação a criar e um status de super-estrela a atingir. Existe DINHEIRO em vista.
Brando tinha dinheiro. Muuuuito dinheiro. Ele vivia numa ilha, que comprou nos anos 60, se não estou em erro. Mas morreu na miséria, isolado e sozinho - conta a mesma imprensa que o endeusou. Os problemas familiares não lhe foram em conta pequena: um filho ficou anos presos por assassinato, insinuações de incesto e um suicídio. Ao morrer, pareciam todos urubus atrás da carniça, todos querendo um pedaço, o maior pedaço possível da única coisa que Brando conseguiu ter em quantidade e ser invejado por isso: dinheiro.
| Brando é usado no cartaz como chamariz. Vivien Leigh não aparece, nem qualquer outro actor. |
Ontem vi "Um electrico chamado desejo". Este filme de 1951 foi "O filme" que fez TUDO pela carreira de Brando. Brando ficou conotado como um sex-symbol devido à personagem. A sua aparência agradou as mulheres da década de 50, que começaram a suspirar com a sua simples presença no ecrã. Ao se depararem com aquela imagem com quem fantasiavam, em camisa interior, fantasiavam ainda mais. Ainda por cima era um bruto, que ás tantas na história ataca a cunhada. A mulherada nascida no princípio do século XX deve ter suspirado muito! Ainda hoje pode-se observar o quanto o papel de bad-boy (neste caso bad marido) na sua camisa interior branca de cavas (um acessório sexy só mesmo naquele tempo...) com os músculos a sair por fora, lhe trouxe fama. Em episódios como "os simpsons" fazem-se ramanescencias ao papel, mostrando o sempre calmo Ned Flanders invulgarmente bruto a rasgar a sua camisa de cavas em frangalhos, exibindo uma super-musculatura e a gritar o mítico (já avisei que este post tem muito miticismo) grito que encerra o filme "Steeeeela"!!!.
E Marlon Brandon foi assim lançado. Tinha a beleza certa. A questão é que lhe apontavam e muitos ainda o apontam, como um actor maior que os outros. Com um talento que ia além de qualquer outra pessoa. E agora que os ânimos se acalmaram e a mulherada já não se deixa seduzir tanto pelo aspecto, os homens não querem mais ser como ele e os artistas largam o "miticismo" que rodeia a figura, vejam então com olhos "virgens e honestos" o talento de Marlon Brando.
É mesmo extraordinário?
Não acredito em super-estrelas. Ah, eu sei que muito talento existe. Mas que este seja algo muito acima dos demais que têm menos sorte em serem conhecidos é que me fere a inteligência. Até o mais talentoso dos actores tem, por vezes, momentos em que não consegue "pegar" na personagem. Não existem infalíveis nem ninguém é muito superior aos restantes. Melhores sim, superiores já é outra coisa.
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| Os músculos que fizeram suspirar plateias |
Ao rever o filme "Um eléctrico chamado Desejo", estrelado por Vivien Leigh, reparei que mal conseguia perceber o que o Brando estava a dizer. A sua pronuncia nunca foi lá essas coisas. Tinha qualquer coisa na dicção que a tornava deficiente. Qualquer outro teria nisto um desgraçado handicapt mas em Brando foi uma vantagem. Porque aliado ao resto, ao tom de voz grave e à aparência atraente, tornou-o especial. Mas será isso especial por ter talento ou especial por reunir um conjunto de características extras que são sedutoras?
Ao longo da sua restante vida, este "mítico" actor fez pouco cinema. O que fez não é muito referenciado ou lembrado. Ficou essencialmente conhecido pelo seu papel como marido da irmã da cunhada Blanche Dubois neste filme "Um eléctrico chamado desejo". Entrou no "super-homem", "O último tango em Paris", "O padrinho" e em "Apocalipse Now". Acho que estas obras são, a bem ou a mal, as que servem de referência para definir a carreira do actor, sendo que algumas mesmo assim se eclipsam da memória curricular do espectador comum. Também fez "A ilha do Dr. Moreaux" mas digamos que o filme não causou sensação, pelo que convém até "ser metido na gaveta" para se continuar a agraciar e a elogiar sempre o mesmo...
Mal saiu dos anos-dourados, a figura de sex-symbol de Brando começou a desvanecer. A carreira foi junto mas o miticismo já estava criado. Seria para sempre um grande actor, com o qual um director suspirava para trabalhar. Faziam-lhe convites e se fossem aceites, era uma honra, que não se achavam merecedores. Tal era a vassalagem. Só que Brando já não era bem a mesma coisa. Tinha, segundo alguns dizem, dificuldade em memorizar as falas. (Mas alguma vez a teve?) É reportado que para o filme "Apocalipse Now" estava com tantos problemas que a sua actuação-chave, sentado na penumbra a recitar as falas - considerado o ponto alto da sua prestação no filme - não passou de uma decisão de última hora do director, devido às crescentes dificuldades. Bradon não acertava com aquilo e tiveram de lhe debitar o texto.
E eu sempre me interroguei porquê o espanto e porquê tanto "endeusamento". Porquê? Porque vi o "making-off" do filme "Super-Homem" e neste fiquei a saber que o actor NUNCA memorizava as falas. Um pobre-coitado tinha de andar a colar em partes despercebidas do cenário papéis para Brando ler, outro andava à frente do actor com enormes cartazes com as falas, para que ele as pudesse interpretar. Marlon Brando não se dava ao trabalho de memorizar as falas, fiquei CHOCADA!! Mas quem era ele a mais que os outros? Se qualquer outro actor tem de memorizar texto, porquê não ele? Assim também eu conseguia.
Muitas vezes me interroguei se a prestação de um actor sai prejudicada com ensaios ou repetições de takes. Se aquela primeira interpretação, mais genuína e fresca, não é a melhor de todas. Mas será que ser um verdadeiro actor não é conseguir «entregar» sempre e quantas vezes forem necessárias? Brando tinha a vida "facilitada". Ele sentia a personagem e ia lá com base na interpretação do momento. Se existe alguma diferença como actor entre ele e qualquer outro, não reside esta num talento especial nem em qualquer outra coisa senão esta: ele fazia na hora. Lia e interpretava.
TODO o cenário de "Super-Homem" tinha CÁBULAS espalhadas estrategicamente longe da vista das câmaras, onde algum assistente de produção escreveu as falas de Marlon Brando. Este era um mestre, isso sim, em ler as mesmas enquanto se passeava a repeti-las. Existiam papéis no abatjour do candeeiro, nas costas de um sofá, um coitado de um assistente andava fora do set mas na frente do actor com um cartaz enorme com as falas para que as pudesse ler. Enfim. Acho que toda a carreira de Brando foi assim. Diferente das demais não por um especial talento, mas talvez, pela falta de uma característica dele.
E QUEM era o HOMEM Brando? Não se sabe. Eu pelo menos não tenho bem ideia. Criou-se o mito, esqueceu-se o homem. Para mim tinha as suas inseguranças. Deixar a sua boa aparência desvanecer até virar um super-obeso revela inseguranças e revoltas. Para mim, Brando sentia um certo desprezo pela bajulação e por ser glorificado pela sua boa pinta. Mas ao mesmo tempo que gostava de poder dispensar todas as atenções que lhe davam e toda aquela bajulação que sempre o cercava fosse onde fosse, momentos existiam em que também sentia falta e precisava um pouco dela. (coisa de artista). A vontade de contrariar, de ir contra a sua imagem de sex-symbol e o star-system não o devia desagradar, embora a sua aparência por vezes o deixasse triste e o fizesse sentir repugnância por si mesmo. (devia ter ido para psi, não?). Activista como muitos jovens com ideias são, julgo que deve ter sido muito difícil conviver com ele. De outro modo como justificar a disfuncionalidade da família que gerou?
Quando as pessoas não se conhecem a elas próprias porque a ideia que os outros fazem delas atrapalha esse auto-conhecimento, dificilmente estão aptas o suficiente para se darem aos outros. E Brando, tal como qualquer outro mega-artista, se não conseguisse separar QUEM ele era da IMAGEM que criaram para ele, ficaria sem chão, sem eixo. Não sei se foi o caso mas mesmo que tivesse mantido esse eixo, certamente não seria fácil lidar com a imagem que os outros projectam de ti e as respectivas expectativas. Todos temos bons e maus momentos e até o mais seguro de si acaba por ter momentos de inseguranças. O receio de não corresponder aumenta, o medo de falhar toma conta. E a bebida muitas vezes entra em acção...
A autenticidade parece-me o caminho a ser seguido. Para Brandon essa autenticidade pode ter surgido da sua incapacidade de memorização de falas. O seu "miticismo" provém deste seu handicapt. Mas praticamente todos os actores pelo mundo a fora memorizam suas linhas ou têm-nas a ser debitadas por um aparelhozinho a que se chama auricular. Julgo que Brando ainda chegou a experimentar este facilitismo da tecnologia moderna... Se não o experimentou, aposto que desejou muitas vezes experimentar!
É curioso também estudar a reacção das pessoas a um mesmo acto. Hoje um actor que interprete seus papéis com um auricular no ouvido pode ser severamente desprezado pelos pares que, se forem de um "grau de estrelato" menor, a sua revolta de nada vai influenciar o resultado final. Mas esses mesmos actores que hoje criticam os pares que recorrem ao auricular, são capazes de endeusar o sr. Brando e apontá-lo como o melhor actor de todos os tempos. Ignorando o facto do "ídolo" ter também usado, a vida toda, "auricular".
O que faz um "bom actor" não é só ser-se um bom actor. Muitos actores têm desempenhos brutais ao lado de grandes estrelas, e são relegados devido à cegueira alheia que tal pode provocar. O factor sorte, timming e aspecto físico contam muito. Os interesses da indústria contam muito. É o mesmo princípio que se aplica a qualquer profissão, mas mais ainda nas que consistem em exposição pública. Talento não é tudo, pode até ser uma ínfima parte da questão. Para se ser um bom actor basta 20% é talento, 70% de trabalho e 10% da melhor sorte que se poder ter na vida!
Depois também há aqueles actores cuja percentagem de talento é de 70%, trabalho é de 30% mas lhes falta o resto.
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| Carregar na imagem para uma interessante matéria onde por casualidade a actriz menciona o que faz uma pessoa virar uma super-estrela. |
*Kim Hunter, fiquei agora a saber, tal como os restantes do elenco, já interpretara Stella nos palcos da Brodway, sendo que o filme foi a filmagem dessas actuações (lá vai a "teoria" de que a repetição pode «danificar» a autenticidade). Por este papel cinematográfico ganhou um óscar e um globo de ouro. Também foi ela a intérprete principal da comunidade de chimpanzés no filme "Planeta dos Macacos", com Cherleton Huston, no papel de Zyra.
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